Publicado 19 de Junho de 2020 - 12h24

Por AFP

O conselho de ministros da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aprovou nesta sexta-feira (19) uma resolução que critica o Irã por não aceitar a inspeção de duas instalações suspeitas, em um novo episódio sobre o programa nuclear de Teerã.

Esta é o primeiro documento crítico a respeito do Irã aprovado pela agência da ONU desde 2012.

No momento, um texto assim tem sobretudo um valor simbólico, mas pode ser o primeiro passo para enviar o caso ao Conselho de Segurança da ONU, que pode adotar sanções.

A votação aconteceu em um contexto de tensão cada vez maior devido ao programa nuclear da República Islâmica, que nos últimos 12 meses deixou de cumprir vários compromissos como resposta ao restabelecimento das sanções dos Estados Unidos.

O texto, apresentado por Alemanha, França e Reino Unido, recorda ao Irã sua obrigação de cooperar com a AIEA, apesar de Teerã impedir desde janeiro o acesso a duas instalações suspeitas de terem desempenhado atividades nucleares não declaradas há mais de 15 anos.

A resolução foi aprovada por 25 Estados membros do conselho de ministros, em uma reunião na sede da AIEA, em Viena. Sete países optaram pela abstenção. Rússia e China foram os únicos que votaram contra.

Para o embaixador russo na agência, Mikhail Ulyanov, a medida pode ter efeitos "contraproducentes" nas relações com Teerã.

A China também lamentou a iniciativa, que chamou de "precipitada".

Durante as discussões antes da votação, Teerã advertiu que "uma decisão política comprometeria o nível atual de cooperação entre o Irã e a Agência".

A inspeção dos agentes da AIEA em determinados lugares vinculados ao programa nuclear iraniano é crucial na cooperação e um dos pilares do acordo internacional de 2015, assinado entre Teerã e as grandes potências para impedir que o Irã desenvolva armas nucleares.

Desde que os Estados Unidos se retiram de forma unilateral do acordo em 2018 e o o Irã respondeu com a retomada das atividades de enriquecimento de urânio, o acordo está por um fio, especialmente as inspeções da AIEA.

As supervisões geralmente acontecem sem problemas em instalações nucleares onde atualmente a República Islâmica realiza atividades de enriquecimento de urânio. Mas as autoridades iranianas relutam a respeito das inspeções em duas centrais antigas, a princípio em desuso, onde aconteceram atividades não declaradas no início dos anos 2000.

Nada indica que continuem ou que representem uma ameaça no momento, mas a AIEA deseja ter certeza. De acordo com os compromissos estabelecidos com a agência, o Irã tem que aceitar as inspeções.

"Seria totalmente inaceitável abrir uma exceção, que mostraria que os Estados podem ser seletivos na aplicação dos acordos com o organismo", declarou o diretor geral da AIEA, Rafael Grossi.

Teerã considera que "não pode atender todas as solicitações baseadas em acusações mal-intencionadas fabricadas por seus inimigos" e acusa Israel de ser a origem das acusações.

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