Publicado 19 de Junho de 2020 - 9h53

Por AFP

O presidente russo, Vladimir Putin, acusou o Ocidente de "revisionismo" anti-Rússia a respeito da Segunda Guerra Mundial, na véspera da comemoração na Rússia do 75º aniversário da vitória soviética sobre os nazistas.

Esta vitória e o sacrifício de 27 milhões de soviéticos durante a guerra estão no centro do discurso patriótico do presidente russo publicado em uma longa coluna.

Em 24 de junho, um grande desfile militar comemorará esse acontecimento em Moscou, que geralmente é organizado em 9 de maio e este ano teve que ser adiado devido à pandemia do novo coronavírus.

"O revisionismo histórico que é observado nas manifestações do Ocidente, especialmente sobre a Segunda Guerra Mundial e seus resultados, é perigoso, pois desestabiliza os princípios de um desenvolvimento pacífico do mundo como os Aliados estabeleceram em 1954", acusou Putin nas páginas da The National Interest, uma revista conservadora nos Estados Unidos.

Neste artigo, muito aguardado, o presidente russo repete as acusações contra os europeus e, em particular, contra os poloneses, por desejarem responsabilizar a URSS, assim como a Alemanha, pela guerra, as duas potências totalitárias que assinaram um pacto secreto para dividir o Leste Europeu, em particular a Polônia.

Tomando Varsóvia como alvo, bem como uma recente resolução do Parlamento Europeu denunciando a invasão e desmembramento da Polônia em setembro de 1939, o presidente russo repete que a URSS não tinha alternativa, já que os britânicos e franceses cederam aos nazistas nos acordos de Munique de 1938, e que os poloneses impediram uma aliança entre Paris, Londres e Moscou.

Para o presidente russo, "a responsabilidade pela tragédia sofrida pela Polônia (com a dupla invasão alemã-soviética) cabe inteiramente às autoridades polonesas", a quem ele acusa de cumplicidade com Hitler nos meses anteriores à invasão.

Vladimir Putin acredita que a revisão do papel soviético na Segunda Guerra Mundial mina os fundamentos da ordem internacional nascida em 1945 e baseada na ONU.

Também reitera seu chamado para realizar uma cúpula dos Cinco Grandes - os membros permanentes do Conselho de Segurança (Rússia, China, França, Reino Unido e Estados Unidos), dada a "turbulência" pela qual o mundo está passando, com a crise econômica surgida pela pandemia do novo coronavírus.

"Nossa capacidade de trabalhar juntos e em conjunto como verdadeiros parceiros determinará a gravidade do impacto da pandemia e a velocidade com que a economia global emergirá da recessão", escreve.

Putin havia proposto esse formato no início de janeiro, durante as comemorações da libertação do campo de extermínio nazista de Auschwitz em Israel. Segundo Moscou, os outros gigantes concordam com o princípio, mas a data ainda não foi definida.

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