Publicado 18 de Junho de 2020 - 20h43

Por AFP

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, da ala mais radical de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, renunciou ao cargo nesta quinta-feira(18).

Weintraub anunciou sua demissão depois de se envolver em várias polêmicas, entre elas, se referir aos membros da suprema corte como "vagabundos".

O anúncio foi divulgado em um vídeo no Twitter ao lado de Bolsonaro, a quem prometeu lealdade, em um momento em que o presidente está sob pressão para abrir seu governo à direita tradicional.

Economista por formação, Weintraub vai ser indicado para um cargo o Banco Mundial. O governo não anunciou de imediato quem o substituirá na Educação.

"Nesse momento não quero discutir os motivos da minha saída", disse Weintraub, cuja gestão foi marcada por um estilo agressivo e fortes críticas de estudantes, professores e especialistas da área educacional.

Os escândalos de Weintraub incluem um tuíte racista contra a China, principal parceiro comercial do Brasil, além dos ataques aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que analisam vários processos que podem trazer sérias dificuldades para Bolsonaro e sua família.

Em uma reunião ministerial em abril, ele apoiou as críticas de Bolsonaro às medidas de confinamento social decretadas por vários governadores para enfrentar a pandemia de coronavírus, afirmando: "Se dependesse de mim, eu colocaria todos esses vagabundos na cadeia. Começando pelo Supremo Tribunal Federal", que apoiou a autonomia dos estados em questões de saúde.

No fim de semana passado, Weintraub falou sobre a manifestação dos bolsonaristas contra o STF e afirmou: "Eu já dei minha opinião sobre o que faria com vagabundo". Também foi multado em 2.000 reais por autoridades de Brasília por não usar máscara.

Discípulo do escritor e "guru" da extrema direita brasileira, Olavo de Carvalho, Weintraub afirmou que continuará apoiando Bolsonaro.

O presidente assegurou que "todos os compromissos de campanha continuam em pé". "Jamais deixaremos de lutar por liberdade e eu faço o que o povo quiser", acrescentou, antes de abraçar Weintraub.

Weintraub substituiu Ricardo Vélez em abril de 2019, enfraquecido pela oferta entre "olavistas" e setores militares moderados dentro do Ministério da Educação, uma pasta-chave na guerra do bolsonarismo contra o "marxismo cultural" e o "globalismo".

Desde que chegou ao poder em janeiro de 2019, Bolsonaro perdeu cerca de dez ministros, que renunciaram ou foram demitidos, como ocorreu neste ano com dois ministros da Saúde, em meio à pandemia de coronavírus.

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