Publicado 18 de Junho de 2020 - 20h33

Por AFP

A menos de cinco meses das eleições nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta crises em várias frentes e está atrás de seu adversário democrata nas pesquisas, enquanto sua forma de governar é severamente questionada por um livro e acumula derrotas na justiça.

O retorno da campanha oferece, no entanto, uma chance de recuperação.

A candidatura de Trump a um segundo mandato, que antes da pandemia do coronavírus parecia estar cada vez mais forte, está atualmente repleta de obstáculos, em parte por causa de sua própria administração da crise de saúde e dos enormes protestos contra a brutalidade policial e racismo.

Agora, o presidente deve enfrentar um intenso ataque de suas próprias fileiras, lançado por seu ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton.

"Não acho que seja apto para o trabalho. Acho que não tem competência para fazer o trabalho", disse Bolton à ABC News, que promove o "The Room Where It Happened" (ainda sem tradução para o português), um livro cuja publicação programada para a próxima terça-feira, a Casa Branca está tentando impedir através da justiça.

No livro, Bolton alega que Trump pediu ajuda ao presidente chinês Xi Jinping para sua reeleição, que obstruiu a justiça, e que não o considera um adversário à altura do presidente russo Vladimir Putin.

Trump se defendeu chamando Bolton de "cacchorro doente" e seu livro de "pura ficção".

Em uma aparente tentativa de enfatizar sua postura dura, Trump ameaçou através do Twitter "cortar completamente" as pontes com a China, um país cuja economia está profundamente entrelaçada com os Estados Unidos.

No dia anterior, o representante comercial dos Estados Unidos Robert Lighthizer, que gerencia as relações comerciais com Pequim, disse no Congresso americano que essa opção seria inviável.

Atualmente, a China é um dos alvos preferido de Trump em todas as frentes.

O presidente americano, que se esquivou de sua responsabilidade pela rápida disseminação do coronavírus, que até agora matou mais de 117.000 pessoas no país e forçou uma desaceleração econômica traumática, culpou a China pelo surgimento do vírus.

Quanto aos protestos de rua, ele disse que é uma rebelião orquestrada pela esquerda, rejeitando pesquisas segundo as quais o problema reside no racismo sistêmico que afetaria a sociedade americana.

Bolton, no entanto, é diferente.

O ex-conselheiro presidencial é um falcão republicano, que dedicou toda a sua vida à política externa.

Pode-se dizer que sua posição política está à direita de Trump e que, portanto, não é vulnerável aos ataques habituais do presidente.

Por outro lado, Trump sofreu dois contratempos em uma semana na Suprema Corte.

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