Publicado 18 de Junho de 2020 - 16h03

Por AFP

Em seu livro "The Room Where It Happened", a ser publicado terça-feira, John Bolton, ex-assessor de segurança nacional de Donald Trump, retrata um presidente mal aconselhado, fascinado por autocratas e obcecado por sua reeleição, mesmo correndo o risco de colocar os Estados Unidos em perigo.

Aqui estão cinco passagens principais, baseadas em trechos publicados na imprensa.

"Tenho dificuldade em encontrar uma única decisão importante de Trump, durante o tempo em que estive no cargo, que não tenha sido guiada por um cálculo de reeleição", escreve Bolton, que acusa o magnata de confundir "seus próprios interesses políticos e os interesses nacionais".

Ele dá um exemplo avassalador: à margem da cúpula do G-20 em Osaka em junho de 2019, Trump "surpreendentemente direcionou a conversa" com seu colega chinês Xi Jinping para a eleição presidencial dos EUA, implorando que ele o ajudasse a vencer, para que houvesse um aumento das compras agrícolas chinesas.

Para Bolton, isso confirma "um comportamento basicamente inaceitável que destrói a legitimidade da presidência".

O ex-assessor sugere boas razões para o impeachment de Trump, além do caso ucraniano do qual o presidente foi absolvido.

Se os democratas "tivessem se dedicado a investigar o comportamento de Trump de forma mais sistemática em todo o espectro de sua política externa, o resultado da acusação poderia ter sido muito diferente", escreveu.

Segundo o livro, até a chegada do coronavírus, Trump nunca poupou elogios a Xi Jinping.

"Você é o melhor líder chinês em 300 anos", disse ele a Xi, segundo Bolton.

A esse flerte com um rival considerado por seu próprio campo como autocrata acrescenta-se, de acordo com o ex-conselheiro, um acentuado desinteresse pela defesa dos direitos humanos.

Também em junho de 2019, "Xi explicou a Trump por que ele estava construindo campos de concentração em Xinjiang" para internar muçulmanos uigures. Trump aceitou seus argumentos, garante Bolton.

O presidente também ataca jornalistas com uma virulência particular. "Eles merecem ser executados. São lixo", teria dito Trump, de acordo com o livro.

Bolton descreve um Trump obcecado por trivialidades, sem estratégia de longo prazo.

Enquanto a aproximação com a Coreia do Norte fracassava após a cúpula de 2018 com Kim Jong Un, Trump estava preocupado em dar ao líder norte-coreano um CD com a música "Rocket Man", autografada por Elton John, em referência ao apelido de que ele próprio colocou em Kim no momento mais crítico das relações bilaterais.

Escrito por:

AFP