Publicado 18 de Junho de 2020 - 15h03

Por AFP

A Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou nesta quinta-feira (18) a decisão do presidente republicano Donald Trump de encerrar a proteção para os "dreamers", um grupo de 700.000 jovens que chegaram no país sem documentos junto com seus pais quando eram crianças.

O tribunal superior manteve as opiniões dos tribunais inferiores e considerou que seria "caprichoso" e "arbitrário" pôr fim ao programa adotado pelo presidente democrata Barack Obama em 2012 para oferecer proteção contra deportações, além de autorizações de trabalho a esses jovens, principalmente oriundos da América Latina e dos quais muitos sequer lembram seu país de origem.

A menos de cinco meses das eleições, Trump classificou a decisão no Twitter como "horrível" e "politicamente carregada".

"Não dá a impressão de que a Suprema Corte não gosta de mim?", perguntou o presidente depois de o tribunal ter emitido na mesma semana uma opinião sobre os direitos dos trabalhadores homossexuais e transexuais que irritou Trump.

Muitos "dreamers" disseram estar "aliviados" pela decisão, pois já estavam se preparando para "o pior" após anos de incerteza desde que Trump decidiu acabar com o programa.

Esse programa permite aos jovens trabalhar, estudar e dirigir. Portanto, se não existisse, seriam condenados a viver sem documentos.

Para Geraldine Chinga, uma jovem de 29 anos que chegou do Peru quando criança, receber essa decisão foi como tirar um peso que lhe impedia de respirar.

"Essa foi a melhor notícia de todo esse ano. É um alívio tão grande, (...) posso voltar a respirar", acrescentou.

Apesar da pandemia de coronavírus, um grupo de jovens usando máscaras se reuniu nos degraus da Suprema Corte em Washington com uma faixa que dizia "Estamos aqui para ficar".

Essa é uma das decisões da Suprema Corte mais esperadas da temporada e, devido ao fato de os juízes conservadores serem maioria, havia expectativas sobre a decisão.

Por fim, o magistrado John Roberts somou sua voz à dos quatro juízes progressistas para apoiar a permanência do programa.

O ex-presidente Barack Obama comemorou a decisão no Twitter, observando que há oito anos promoveu este plano para "proteger da deportação as pessoas que foram criadas como parte da família americana".

A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, lembrou que essa decisão prolonga a vida de um programa que, segundo uma pesquisa publicada esta semana, tem o apoio de três quartos da população, tanto de democratas como de republicanos.

"Esse é o jeito americano de fazer as coisas e sinto muito orgulho disso", afirmou a legisladora democrata.

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