Publicado 18 de Junho de 2020 - 14h23

Por AFP

Jean Kennedy Smith, ex-embaixadora dos EUA em Dublin, que contribuiu para o processo de paz na Irlanda do Norte e era a única irmã do ex-presidente John F. Kennedy ainda viva, faleceu aos 92 anos, informaram nesta quinta-feira vários meios de comunicação locais.

"Teve uma vida incrível", disse sua filha Kim Kennedy Smith, anunciando sua morte em Manhattan, Nova York, em comunicado transmitido a várias mídias.

O primeiro-ministro irlandês, Leo Varadkar, disse estar "profundamente triste" por sua morte, chamando-a de "uma verdadeira amiga da Irlanda".

"Sua diplomacia corajosa e determinada ajudou a trazer a paz à nossa ilha, construiu pontes, abriu portas a todas as comunidades e a todos aqueles que desejavam a paz quando a paz não era uma certeza", disse Varadkar em comunicado.

Jean Kennedy Smith nasceu em 20 de fevereiro de 1928 em Boston, Massachusetts.

Era a oitava dos nove filhos de Rose e Joseph Kennedy, a dinastia política mais famosa da primeira potência mundial.

Em 1963, Jean Kennedy Smith acompanhou seu irmão John - o primeiro presidente católico americano e de origem irlandesa - em uma viagem histórica à Irlanda.

Trinta anos depois, embora não tivesse experiência política ou diplomática e se dedicasse mais à caridade pelas artes e crianças com deficiência e à socialização, foi nomeada embaixadora na Irlanda pelo ex-presidente Bill Clinton, uma designação questionada por muitos.

Aos 65 anos, quando muitos se aposentam, ela se tornou a primeira mulher da família Kennedy a assumir um importante papel político.

Jean, cujo bisavô era irlandês e que viveu na Grã-Bretanha quando seu pai foi embaixador americano em Londres, era apreciada pelos irlandeses.

Durante seus cinco anos como representante de seu país em Dublin, assumiu o papel com zelo, encontrando-se várias vezes com Gerry Adams, então líder do Sinn Fein, o braço político do Exército Republicano Irlandês, em contradição com a política americana.

Ela então convenceu Clinton a conceder a Adams um visto controverso em 1994 para ele visitar os Estados Unidos, onde o líder separatista pediu um cessar-fogo na Irlanda do Norte. A decisão desafiou o governo britânico, que o chamava de terrorista.

O cessar-fogo foi declarado seis meses depois, em 31 de agosto de 1994.

Seu papel abriu o caminho para as negociações que resultaram em 10 de abril de 1998 no Acordo de Belfast, também conhecido como Acordo da Sexta-Feira Santa, que terminou com a violência que atormentava a Irlanda do Norte desde os anos 1960.

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