Publicado 18 de Junho de 2020 - 10h53

Por AFP

As autoridades de Pequim anunciaram 21 novos contágios de coronavírus nesta quinta-feira (18) e mantêm as restrições na capital da China, embora afirmem que a situação está sob controle, o que não parece ser o caso de outras regiões e países como o Brasil, que superou a barreira de 46.000 mortes.

O ministério chinês da Saúde anunciou 21 novos casos nas últimas 24 horas na cidade de 21 milhões de habitantes, o que eleva o total de contágios a 158 desde a semana passada e a descoberta do novo foco vinculado ao grande mercado de Xinfadi, um dos principais locais onde os estabelecimentos comerciais de Pequim compram frutas e verduras.

A epidemia na capital está "controlada", afirmou o virologista chefe do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), Wu Zunyou.

"Isto não quer dizer que não existirão novos casos amanhã. Mas serão cada vez menos numerosos", completou.

A vida, que havia recuperado o ritmo normal em Pequim após dois meses sem o registro de nenhum caso, foi novamente alterada. Mais de 1000 voos foram cancelados, os colégios foram fechados e quase 30 bairros residenciais foram obrigados a retornar ao confinamento, enquanto milhares de cidadãos de Pequim passam por testes de diagnóstico.

"Não temos muitos clientes no momento, as pessoas estão com medo de sair", disse Wang, cozinheiro em um restaurante, que aguardava em uma fila de exames.

Enquanto a China mantém o vírus sob controle, em outros países da Ásia, como Paquistão, Bangladesh, Índia e Afeganistão, existe o temor de que a COVID-19, com uma taxa de mortalidade até agora relativamente baixa em comparação com outras zonas afetadas como Europa, Estados Unidos ou América Latina, registre um forte aumento de casos entre populações empobrecidas e com sistemas de saúde incapazes de absorver a avalanche de pacientes.

"O sul da Ásia está em um nível anterior da curva da pandemia em comparação com a América Latina", explica Archie Clements, virologista da Universidade australiana Curtin.

Nos Estados Unidos, país mais afetado, com quase 118.000 mortos e mais de 2,1 milhões de infectados, o balanço diário ficou abaixo de 1.000 vítimas fatais na última semana, segundo os dados da Universidade Johns Hopkins.

Apesar das notícias encorajadoras nos últimos sete dias, a primeira onda de contaminações perdura no país, com quase 20.000 novos casos a cada dia. O foco passou de Nova York e do nordeste do país para as regiões sul e oeste.

Mais de 10 estados registram atualmente o recorde de casos de COVID-19, incluindo a Flórida, onde multidões de turistas aproveitam as praias e hotéis alheios ao coronavírus, ou Oklahoma, onde o presidente Donald Trump planeja fazer um grande comício eleitoral para milhares de pessoas no fim de semana.

Na Rússia, os profissionais da saúde pagaram um preço elevado: quase 500 médicos faleceram vítimas do coronavírus.

Com 1.269 mortos e quase 32.000 casos nas últimas 24 horas, no Brasil a pandemia não cede. O país, com 210 milhões de habitantes, registra um balanço total de 46.510 vítimas fatais e 955.377 casos positivos, o segundo mais grave atrás apenas dos Estados Unidos.

No marasmo econômico provocado pela pandemia, a agricultura foi o único setor que resistiu ao impacto no país e deve atenuar uma recessão recorde este ano, graças à soja e à pecuária, impulsionadas pelas exportações.

Porém, em cidades como São Paulo, pulmão econômico do país, as cicatrizes da pandemia são visíveis: muitas lojas fecharam por falta de caixa suficiente para suportar a suspensão das atividades durante três meses.

Escrito por:

AFP