Publicado 18 de Junho de 2020 - 10h13

Por AFP

No sul da Ásia, os sistemas de saúde enfrentam problemas com a explosão do número de infectados pelo novo coronavírus, após meses de propagação em ritmo lento, mas a taxa de mortalidade continua inferior a outras zonas afetadas como Europa, Estados Unidos, ou Brasil.

Em Peshawar, principal cidade do noroeste do Paquistão, o hospital onde trabalha a cirurgiã Samra Fakhar envia pacientes para casa "quase diariamente", porque não há leitos, nem oxigênio.

"A população está com raiva, que às vezes se transforma em violência contra os profissionais da saúde", lamenta.

Com uma população muito jovem, o Paquistão registrou durante muito tempo dados de COVID-19 relativamente baixos. Assim como em outros países da região, porém, os contágios dispararam nas últimas semanas com o aumento dos exames de diagnóstico. Diante do número muito insuficiente de testes até o momento, ainda não é possível saber com exatidão a progressão do vírus.

"Após um atraso, devido ao fator sorte, que pode fazer com que um foco vire, ou não, epidemia, temos a impressão de que não há nenhum sinal verde no Sudeste Asiático neste momento", adverte o virologista Antoine Flahault.

O Paquistão, que tem um sistema de saúde obsoleto, registra oficialmente 160.000 pacientes do coronavírus. O governo teme que, até o fim de julho, o país registre mais de 1,2 milhão de casos. Um estudo público calculou recentemente que apenas na cidade de Lahore (leste), de 11 milhões de habitantes, havia 670.000 pessoas infectadas.

"Atualmente, o Paquistão não cumpre nenhuma das condições para a abertura do país, com seu sistema frágil de vigilância de pacientes (isolamento, quarentena), suas equipes limitadas e uma população que não está disposta a mudar de comportamento", adverte a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Duas semanas depois de anunciar o fim da flexibilização, as autoridades começaram a confinar os territórios mais afetados. Desde o início da pandemia, o primeiro-ministro Imran Khan se opõe ao fechamento do país que permite, em suas palavras, "salvar as pessoas do coronavírus, mas faz com que morram de fome".

Na Índia, as autoridades impuseram, no fim de março, um confinamento draconiano à população. A medida foi catastrófica para milhões de pessoas pobres, privadas de trabalho e obrigadas a viajar centenas de quilômetros, em muitos casos a pé, para retornar para suas cidades de origem. Isso facilitou a propagação da COVID-19.

"Em um país como a Índia, com uma pobreza em larga escala e sua comunidade de (trabalhadores) migrantes, não se pode esperar que todos permaneçam a salvo aguardando o fim da tempestade", afirma o analista americano Michael Kugelman. "A Índia não é a Nova Zelândia", completou.

Com uma economia em crise, Nova Délhi iniciou a flexibilização do confinamento em junho, apesar da propagação do vírus. Com 366.000 casos, a Índia, onde alguns hospitais têm listas de espera para pacientes de COVID-19 e outros centros médicos cobram muito caro pelos últimos leitos disponíveis, é agora o quarto país mais afetado em termos de contágio pelo coronavírus.

A letalidade é baixa, com 12.000 mortos em uma população de 1,3 bilhão de habitantes, apesar do balanço de 2.000 vítimas fatais em apenas um dia na quarta-feira, um número que pode ser atribuído a revisões de dados em Nova Délhi e em Mumbai, as duas cidades mais afetadas.

Bangladesh registra 1.300 mortes entre 161 milhões de habitantes. É uma letalidade muito reduzida em comparação com outras regiões do mundo, mas que parece estar aumentando.

"A situação é catastrófica", disse Abdur Rob, médico em Chittagong, a segunda maior cidade do país. "Os pacientes morrem em ambulâncias buscando um hospital", relatou.

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