Publicado 17 de Junho de 2020 - 22h15

Por AFP

A Argentina se aproximou de posições com boa parte de seus credores para conseguir uma reestruturação "sustentável" de uma parcela de sua dívida de cerca de 66 bilhões de dólares sob a lei estrangeira, mas as diferenças com alguns detentores de títulos se aprofundaram.

O governo de Alberto Fernández esperava selar um acordo nesta semana, com a apresentação de uma "oferta final" na última terça-feira.

No entanto, as expectativas caíram, embora as negociações continuem.

"Não há oferta, a distância com alguns detentores de títulos ainda é insustentável", disse à AFP uma fonte do governo, a dois dias para o prazo estipulado pelo governo para aderir ao swap.

"É altamente improvável que (um acordo) seja resolvido antes de sexta-feira", disse a fonte.

As negociações foram mantidas até agora sob um acordo de confidencialidade, mas esse compromisso terminou na tarde desta quarta-feira e não foi renovado.

À noite, o Ministério da Economia divulgou um comunicado com a nova proposta aos detentores de bônus, esclarecendo que não é ainda uma oferta formal: a Argentina reduz por mais um ano o período de carência (começando a pagar em 2021), reduz a quitação de capital e os vencimentos são encurtados.

Os credores "responderam à informação fornecida pela Argentina propondo ajustes, descritos em separado, com os quais a Argentina não pode se comprometer de forma razoável, alguns dos quais são amplamente inconsistentes com o marco de sustentabilidade da dívida que a República precisa para restaurar a estabilidade macroeconômica e para avançar com um programa com o FMI", destacou o comunicado.

A Argentina, um dos principais exportadores de alimentos do mundo, está em recessão desde 2018 e estima-se que sua economia sofrerá ainda mais este ano devido à pandemia do novo coronavírus, com uma queda estimada de 6,5% no PIB.

O fundo BlackRock, um dos principais detentores de dívida argentina, é apontado como o mais intransigente.

"Há muitos grupos de detentores de títulos que começam a indicar que a BlackRock está mais ansiosa por litigar (perante a justiça de Nova York) do que por concordar", disse uma fonte oficial.

Em inadimplência desde 22 de maio, a Argentina busca melhorar sua oferta inicial, rejeitada em 8 de maio e que contemplava três anos de carência e uma redução de 62% nos juros e 5,4% no principal.

O governo propõe uma taxa de recuperação de títulos não superior a 50 dólares por valor nominal de 100 dólares e inclui um "detalhe": um cupom vinculado às exportações agrícolas, segundo fontes próximas às negociações.

"A BlackRock mostrou vontade de negociar, negocia há dois meses, o que não quer é aceitar uma proposta para 50 com cupom de exportação", disse Matías Rajnerman, economista-chefe da Ecolatina.

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