Publicado 17 de Junho de 2020 - 22h05

Por AFP

Um policial de Atlanta foi denunciado pelo homicídio de Rayshard Brooks, o afro-americano de 27 anos que morreu após ser atingido por tiros disparados por este agente em um estacionamento, anunciou nesta quarta-feira (17) o promotor do distrito, Paul Howard.

Howard disse que Garrett Rolfe não tinha justificativa para atirar porque, "no momento em que Brooks foi abatido, não representava ameaça imediata de morte ou ferimentos físicos graves para os policiais".

O promotor acrescentou que constitui agravante o fato de, após abrir fogo, Rolfe ter chutado o corpo de Brooks enquanto ele estava no chão, sangrando.

Segundo o promotor, Rolfe e seu colega, Devin Brosnan, violaram múltiplas normas do departamento de polícia após deter o homem, a quem encontraram dormindo em seu carro, bloqueando o acesso de veículos a um restaurante da rede de "fast food" Wendy"s, em 12 de junho.

A morte de Brooks ocorreu em meio a uma comoção social em todos os Estados Unidos pela morte de George Floyd, afro-americano morto por asfixia por um policial branco quando estava algemado e imobilizado no chão, em 25 de maio, em Minneapolis.

A morte de Floyd gerou protestos, que em alguns casos resultaram em distúrbios e saques, em reivindicação ao fim da violência policial e do racismo.

Após a divulgação da morte de Brooks, novos protestos e marchas antirracistas foram registrados.

As denúncias contra Rolfe, que foi demitido da força policial no dia seguinte aos fatos ocorridos no estacionamento, podem resultar em pena de morte ou de prisão perpétua.

Brosnan, que concordou em colaborar como testemunha para o estado na investigação do caso, enfrentará três acusações, inclusive de agressão com agravante.

Após a modesta reforma policial decretada pelo presidente Donald Trump, senadores republicanos apresentaram nesta quarta um projeto de lei para acabar com as "chaves de estrangulamento" e mudar a formação dos agentes policiais.

Mas o texto não aborda a ampla imunidade de que desfrutam os policiais, precisamente um dos principais motivos de descontentamento daqueles que protestaram no país após a morte de Floyd por um policial branco em 25 de maio em Minneapolis.

Quando parecia que os protestos perdiam peso, um novo caso, a morte de Brooks, um pai de família negro de 27 anos, morto na noite de sexta-feira em Atlanta, voltou a atiçar a revolta popular.

"Concluímos que no momento de sua morte, o senhor Brooks não representava uma ameaça imediata de morte ou de ferimentos graves para os agentes", disse o promotor do condado de Fulton, Paul Howard, em coletiva de imprensa.

Rolfe e Brosnan foram ao estacionamento, após receberem um telefonema de funcionários da rede de restaurantes, que se queixaram que Brooks tinha dormido ao volante do carro e bloqueava o acesso dos carros no estacionamento.

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