Publicado 17 de Junho de 2020 - 20h06

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, promulgou nesta quarta-feira (17) uma lei que autoriza a sanção a funcionários chineses acusados de "prisões em massa" de membros da minoria muçulmana uigur.

"Esta lei tem como alvos os autores de violações e abusos dos direitos humanos, como o recurso sistemático a campos de doutrinação, trabalho forçado e vigilância intrusiva para erradicar a identidade étnica e crenças religiosas de uigures e outras minorias na China", declarou Trump em um comunicado.

Em 27 de maio, o texto foi aprovado por uma maioria esmagadora na Câmara dos Deputados, após uma passagem bem-sucedida pelo Senado dias antes.

A lei deve aumentar a tensão existente entre Washington e Pequim, no momento em que o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, reúne-se no Havaí, nesta quarta, com um veterano do Partido Comunista chinês, Yang Jiechi, como forma de aliviar a tensão entre os dois países.

Em dezembro, durante uma primeira votação dessa lei, Pequim prometeu que, caso ela fosse aprovada, haveria uma retaliação a Washington.

O texto inclui acusações do governo Trump e de outros países ocidentais e organizações internacionais, que alegam que o governo chinês cometeu "graves violações dos direitos humanos" na província de Xinjiang, noroeste do país, ao instalar a "vigilância e prisão em massa de mais de 1 milhão de uigures e membros das etnias cazaques, quirguizes e de outras minorias muçulmanas".

O presidente americano assinou a lei no mesmo dia em que foram divulgados trechos do polêmico livro do seu ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton, segundo o qual o magnata republicano nem sempre foi crítico à repressão chinesa.

"No jantar de abertura da cúpula do G20 em Osaka, em junho de 2019, Xi explicou a Trump, apenas na presença dos intérpretes, por que estava construindo campos de concentração em Xinjiang", assinala o ex-conselheiro no livro, que será publicado na próxima terça-feira. "Segundo nosso intérprete, Trump disse que Xi precisava continuar construindo esses campos."

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