Publicado 17 de Junho de 2020 - 18h56

Por AFP

O líder parlamentar Juan Guaidó e os principais partidos políticos da oposição na Venezuela rechaçaram nesta quarta-feira (17) as sentenças do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) que suspenderam o diretório de duas das principais forças contrárias ao governante socialista Nicolás Maduro.

"Não é um tribunal, é o braço legal de uma ditadura", disse Guaidó em entrevista coletiva com líderes das quatro maiores legendas da oposição, depois das decisões judiciais com vistas à eleição de um novo Parlamento, prevista para este ano , mas sem data marcada.

O TSJ suspendeu o diretório do Ação Democrática (Social Democrata) na segunda-feira e na terça-feira fez o mesmo com o Primeiro Justiça (centro), organizações com alta representação na Assembleia Nacional - o único poder controlado pela oposição no país - e entregou o controle dos partidos a adversários de Guaidó.

Onze partidos da oposição, incluindo os dois cujos diretórios foram suspensos pelo TSJ, anunciaram no domingo um boicote às legislativas, depois que o tribunal nomeou um novo Conselho Nacional Eleitoral (CNE), uma prerrogativa atribuída por lei ao Parlamento.

Para Guaidó as eleições parlamentares terão o mesmo destino que as presidenciais de maio de 2018, que reelegeram Maduro, mas foram rejeitadas pela oposição e cinquenta países liderados pelos Estados Unidos, que reconhecem como presidente encarregado, o líder da oposição.

"Como terminou a farsa de 20 de maio de 2018? Em reconhecimento? (...)Em nada, terminou em nada. Atenção aqueles que apoiam o ditador, vou lhes dizer como terminou: 15 milhões de dólares de recompensa pelo ditador", disse o opositor.

Ele se referiu a uma acusação da justiça americana contra Maduro e dirigentes do chavismo por"narcoterrorismo".

O secretário-geral da Ação Democrática, o deputado Henry Ramos Allup, acusou o governo Maduro de tentar "usar quadros corruptos" de partidos para "simular" a participação na votação do Parlamento.

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