Publicado 17 de Junho de 2020 - 16h46

Por AFP

O irmão de George Floyd pediu nesta quarta-feira (17) à ONU que "ajude os americanos negros" com a criação de uma comissão de investigação independente sobre a violência policial contra os afro-americanos.

"Vocês têm o poder de nos ajudar a obter justiça", declarou Philonise Floyd em uma mensagem de vídeo, de tom combativo, exibida durante uma reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra.

Pediu uma "comissão de investigação independente sobre pessoas negras mortas pela polícia nos Estados Unidos e sobre a violência aplicada contra manifestantes pacíficos".

O Conselho de Direitos Humanos da ONU em Genebra iniciou nesta quarta-feira (17) um debate sobre racismo e violência policial a pedido dos países africanos.

Na terça-feira (16), o presidente Donald Trump anunciou uma reforma limitada da polícia para proibir as polêmicas práticas de detenção com estrangulamento, exceto no caso de perigo para a vida do policial. Os manifestantes reivindicam o veto total desse procedimento.

George Floyd morreu em plena rua, no dia 25 de maio, em Minneapolis (Minnesota), asfixiado por um policial branco, que o sufocou com o joelho por quase nove minutos, durante sua detenção.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, denunciou a morte de Floyd como um "ato de brutalidade gratuita", símbolo do "racismo sistêmico que prejudica milhões de pessoas de origem africana".

Sem mencionar os EUA, ela defendeu "reparações de diferentes formas" para enfrentar "a herança do tráfico de escravos e do colonialismo".

Representantes dos Estados Unidos pressionaram aliados, porém, para conseguir a retirada da menção na versão final do texto, segundo várias fontes.

O novo rascunho se limita a pedir a Bachelet que "estabeleça os fatos e as circunstâncias relativas ao racismo sistêmico, às supostas violações do direito internacional em termos de direitos humanos e aos maus-tratos contra os africanos e as pessoas de origem africana".

O governo dos Estados Unidos se retirou há dois anos do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que tem a participação regular de países como Cuba e Irã.

Antes do debate, 20 altos funcionários das Nações Unidas de origem, ou ascendência, africana, incluindo o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, assinaram a título pessoal uma declaração, na qual afirmam que "a simples condenação de expressões e atos de racismo não basta".

O embaixador americano na ONU em Genebra, Andrew Bremberg, destacou a "transparência" do país na luta contra a discriminação e a injustiça racial, ao mencionar a reforma de Trump.

"Temos que aproximar a polícia e as comunidades, não distanciá-las", disse Trump na terça-feira, ao reiterar a vontade de restaurar a "lei e ordem", ao mesmo tempo em que prestou homenagem às famílias das vítimas que acabara de encontrar de modo privado.

Apenas um número "muito pequeno" de agentes comete falhas, disse.

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