Publicado 17 de Junho de 2020 - 15h37

Por AFP

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (17) uma campanha de pressão econômica e política contra o governo sírio, com sanções para 39 indivíduos e entidades oficiais, incluindo o presidente Bashar al-Assad e sua esposa.

"A partir de hoje, as sanções previstas pela lei César entram em vigor. Qualquer um que faça negócios com o regime de Assad, em qualquer parte do mundo, está exposto a restrições de viagens e sanções financeiras", afirma o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, em um comunicado.

"Antecipamos mais sanções. Não vamos parar até que Assad e seu regime interrompam sua desnecessária e brutal guerra contra o povo sírio, e o governo sírio aceite uma solução política", completou Pompeo.

De acordo com o chefe da diplomacia americana, muitas pessoas e empresas apontadas nas sanções "desempenharam um papel-chave na prevenção de uma solução política pacífica ao conflito", enquanto outras "ajudaram e financiaram as atrocidades do regime de Assad" com o objetivo de "enriquecer".

Entre estas pessoas, estão vários integrantes da família do presidente sírio. Alguns já estavam em outras listas americanas, mas outros, como a primeira-dama, Asma al-Assad, são punidos pela primeira vez por Washington.

Já Assad é alvo de sanções dos Estados Unidos desde que começou a reprimir as manifestações no país em 2011.

Pompeo enfatizou que o objetivo das sanções é obrigar Assad a aceitar a Resolução 2254, de 2015, do Conselho de Segurança, a qual pede um cessar-fogo, eleições livres e uma transição política na Síria.

Mais tarde, a Casa Branca justificou o anúncio, observando que os afetados eram "leais ao regime, financiadores sírios que apoiam um esforço corrupto de reconstrução e indivíduos envolvidos ativamente nos ataques de cessar-fogo no norte da Síria".

Nascida na Grã-Bretanha e filha de um cardiologista e de uma diplomata, Asma al-Assad é uma banqueira de investimentos que havia sido considerada partidária de reformas progressistas e uma cara moderna na família Assad.

Em sua declaração, porém, Pompeo a acusou de se tornar, com o apoio do marido e de sua própria família, Akhras, "uma das pessoas que mais se beneficiaram da guerra en Siria".

A "lei César" foi promulgada em dezembro pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. César é o pseudônimo de um ex-fotógrafo da polícia militar síria que desertou em 2013 e divulgou quase 55.000 imagens que ilustram a brutalidade e os abusos nas prisões sírias.

Entre aqueles afetados pelas sanções, também estão Mohamed Hamsho, um dos empresários mais importantes da Síria, e os Fatemiyoun, uma divisão comandada pelo Irã de combatentes muçulmanos xiitas afegãos que se mobilizou para apoiar Assad.

Em sua lista, o Departamento do Tesouro americano incluiu pessoas e companhias acusadas de malversar o esforço de reconstrução, ao usarem terras "expropriadas", favorecendo o deslocamento em massa de populações inteiras. O objetivo seria "construir propriedades luxuosas", particularmente em "áreas de Damasco que ainda eram, recentemente, bairros da classe trabalhadora ligada à oposição".

Assad conseguiu recuperar praticamente toda Síria, à exceção da área de Idlib, depois de uma guerra que deixou mais de 380.000 mortos.

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