Publicado 19 de Abril de 2020 - 17h25

Por Adagoberto F. Baptista

Ato contra quarentena reúne 1,2 mil em Campinas

Alenita Ramirez

Da Agência Anhanguera

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Foto: Wagner

Cerca de 1,2 mil pessoas, segundo organização, participam na manhã deste domingo (19), em Campinas, de uma manifestação cobrando a reabertura do comércio e também contestando sobre uma suposta manipulação de dados sobre a pandemia no Estado de São Paulo e em todo o País. A concentração ocorreu na Praça Arautos da Paz, na Lagoa do Taquaral, e seguiu em carreata para a região central da cidade. Segundo participantes, ao menos 400 veículos participam do evento. Apesar de a organização citar esse volume de 400 veículos e participantes, a Prefeitura garante que é entre 30 e 40 carros e um público de 120 pessoas na carreata, sendo a maioria de fora de Campinas, e que todos serão multados.

O grupo é formado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de diversas categorias de profissionais das cidades de Campinas, Americana, Nova Odessa e Santa Bárbara d´Oeste. Além de estar em veículos, também estavam em motos e até caminhões guincho.

Ontem, o grupo fez uma carreata semelhante pelas ruas de Americana e Santa Bárbara d’Oeste cobrando a reabertura do comércio durante o período da quarentena e o impeachment do governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “A população não quer ser mais manipulada. Não queremos cartão social. O povo quer trabalhar. Temos ciência de que essa doença é letal, mas temos que trabalhar, respeitando nossos idosos e zelando pela segurança de todos. Temos bom senso e não queremos matar um ao outro”, disse o microempresário Daniel Godoy, de 59 anos. “Não podemos deixar essa situação (de isolamento social) como está. Os pequenos empresários vão se quebrar e com isso vamos gerar três problemas: o desemprego, a fome e mais doença”, acrescentou.

Segundo participantes, o ato está sendo realizado respeitando as medidas de segurança, com distanciamento e equipamentos de segurança.

A Guarda Municipal (GM) e a Polícia Militar (PM) fizeram a escolta do protesto, que passou em frente a Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx) e depois seguiu para outra vias da cidade.

Cartazes e bandeiras do Brasil são utilizados por boa parte dos manifestantes, que dentre outras coisas pediam a volta do regime militar no País. Críticas em relação a falas de Doria na última quinta-feira, também foram lembradas por eles. “Uma carreata com duas dúzias de veículos e pessoas gritando não me parece exatamente uma representação majoritária daquelas pessoas que vivem em Americana ou outras pessoas que vivem na Região Metropolitana de Campinas”, chegou a dizer o governador.

Na quinta-feira, o prefeito Jonas Donizette (PSB) avisou que iria multar carros que participarem de carreatas em protestos contra o isolamento imposto no combate à pandemia da Covid-19. As multas serão por desobediência civil. “Vou reverter as multas para comprar equipamentos de proteção individuais (EPIs) a serem destinados aos profissionais que estão na linha de frente no combate ao novo coronavírus”, disse hoje.

Agentes de Mobilidade Urbana da Empresa de Desenvolvimento Municipal de Campinas (Emdec) acompanharam a carreata e, segundo a Prefeitura, anotaram as placas dos veículos envolvidos para a multa.

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Adagoberto F. Baptista