Publicado 17 de Abril de 2020 - 13h28

Por Adagoberto F. Baptista

Alenita Ramirez

Da Agência Anhanguera

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Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Campinas desmantelou na manhã desta sexta-feira (17) uma quadrilha de estelionatários que comercializava lotes em áreas de preservação ambiental em Campinas. Monte Mor e Hortolândia. Três pessoas, dentre elas uma missionária de 47 anos, foram presas em flagrante. Um quarto suspeito, identificado como doutor Anderson, trocou tiros com os agentes e fugiu. O grupo foi descoberto por policiais civis do 11º Distrito (DP), no Jardim Ipaussurama, após ao menos três vítimas procurarem a delegacia na tarde desta quinta-feira. Elas já haviam pago R$ 15 mil de entrada nos lotes clandestinos.

De acordo com o delegado Sandro Jonasson, os golpes começaram a ser aplicados há um mês em uma área de 30 mil metros quadrados no Residencial Sirius, localizado no distrito do Campo Grande. Os lotes, com tamanhos diferenciados, eram comercializados, em média, por R$ 35 mil. O falso loteamento, em uma área pública, foi “desmembrado” com 120 lotes.

As vítimas eram atraídas pela missionária de uma igreja evangélica, cujo nome foi preservado pela polícia. Ela apresentava o doutor Anderson, que qualificava como advogado e empresário, como “homem de Deus”, que iria proporcionar aos fiéis moradias a um preço abaixo do valor de mercado. “A função dele na quadrilha é descobrir terras públicas, em estado de abandono, e se apropria delas, cercando e lançando-a como loteamento à venda. Ele tem toda uma lábia para ludibriar as vítimas”, contou Jonasson.

A polícia não tem estimativa de quanto a quadrilha já faturou com as vendas ilegais, porém frisou que o grupo, formado por ao menos 10 pessoas, age desde 2009. O empresário e advogado, segundo Jonasson, possui ao menos 12 inquéritos policiais. “Além de vender os lotes ilegais, ele também fazia a intermediação para a compra de materiais de construção. Logo que vendia o terreno, ele induzia os compradores a iniciar imediatamente a obra. Com isso, ele aplicava golpe tanto nas pessoas como no Poder Público, pois a ocupação da área vira uma invasão de terras”, disse o delegado.

O golpe só foi descoberto porque três dos compradores tiveram informação de que o empresário e advogado seria suspeito de vendas ilegais. Eles procuraram a delegacia e os policiais descobriram o envolvimento dele em outros golpes.

Com base nas apurações, os agentes ainda descobriram o envolvimento da missionária, que ao lado do advogado e empresário, lideravam o esquema.

Na manhã desta sexta-feira, uma das vítimas foi acionada pelo golpista para fazer uma parte do pagamento. A vítima já tinha pago a entrada e foi chamada para assinar um novo contrato e pagar o restante da dívida. O encontro foi marcado pelo empresário advogado no próprio terreno. Os policiais foram avisados. Ele foi ao local com um segurança e quando os policiais chegaram no local ele atirou contra os agentes e houve troca de tiros. Ele conseguiu fugir, mas o segurança foi preso. “Seguimos até o escritório na região central da cidade e encontramos a missionária, com uma segurança”, contou Jonasson.

Os três foram presos por estelionato, associação criminosa, resistência, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Além do advogado e empresário, outras duas pessoas foram indiciadas pelo crime.

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Adagoberto F. Baptista