Publicado 17 de Abril de 2020 - 14h24

Por Adagoberto F. Baptista

Gilson Rei

Da Agência Anhanguera

[email protected]

Nos finais de tarde desta semana, um “céu de fogo” e uma explosão de cores tomaram conta do horizonte nas paisagens do pôr do Sol. Desconectados da vida rotineira em tempos de pandemia, milhares de pessoas em isolamento social viram de suas janelas ou varandas a beleza e a pintura da natureza.

Uma obra de arte que boa parte da população não “visualizava”, ou percebia direito, anteriormente porque as pessoas estavam “isoladas na cegueira" provocada pelo ritmo veloz e desenfreado do mundo “corrido” e competitivo.

As redes sociais foram invadidas por uma enxurrada de fotos e selfies, pois todos que desfrutaram das belas imagens ficaram maravilhados com as cenas incríveis esculpidas no céu, anunciando o pôr do Sol. Todos compartilharam o fenômeno, que sempre esteve diante dos olhos no entardecer dos outros dias no passado.

As imagens esplendorosas - que tiveram como pano de fundo tons intensos de vermelho-alaranjado - podem ser explicados por especialistas.

Apesar de muitos acharem que o espetáculo teria relação com a baixa poluição causada pela quarentena, o fenômeno acontece de forma contrária. É necessário que haja poluentes na atmosfera para espalhar a coloração vermelha-alaranjada vista no céu nos finais de tarde.

A poluição pode até ter diminuído por conta da quarentena e o isolamento social, mas são as partículas poluentes em suspensão na atmosfera que causam a distribuição das cores no céu.

Nesta semana, houve o registro de uma grande quantidade de nuvens médias e altas no céu, que são formadas nos níveis mais médios e altos da atmosfera. Segundo os meteorologistas, isto provoca uma coloração mais alaranjada no nascer e no pôr do Sol.

O fenômeno ocorreu porque os raios solares atravessaram uma camada maior de poluição quando o Sol ficou próximo ao horizonte. Isto não acontece ao meio-dia, por exemplo, porque a angulação dos raios solares é outra.

Ana Ávila, meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas (Cepagri), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explicou que o fenômeno acontece quando o Sol começa a ficar próximo da linha do horizonte, no final do dia, refletindo os raios na parte de baixo das camadas de nuvens.

A meteorologista disse que as partículas em suspenção contribuem com a pintura. “O efeito colorido no céu é devido à incidência dos raios solares que percorrem uma distância maior na atmosfera no final da tarde. Incidindo sobre as diferentes partículas em suspensão, como gotículas de água ou as partículas de poeira”, explicou. “Além disso, houve um aumento da nebulosidade e formaram-se diferentes camadas, umas mais intensas, outras menos intensas. A luz solar incidindo na atmosfera deu o efeito colorido”, comentou Ana Ávila.

Segundo a especialista, o céu alaranjado ocorre quando as partículas maiores em suspensão na atmosfera (geralmente poeira, pólen, sal marinho e minúsculas gotículas de água) espalham a luz solar na faixa dos comprimentos de onda que compreendem as cores que vão do vermelho ao laranja.

Esse fenômeno ocorre mais intensamente em baixas altitudes, onde essas partículas são mais abundantes. Durante o nascer e do pôr do sol, a luz solar percorre uma camada maior na atmosfera, interagindo com mais partículas que estejam em suspensão. Assim, o céu fica com essa coloração alaranjada-avermelhada característica.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista