Publicado 20 de Abril de 2020 - 19h05

Tradicional no ramo imobiliário brasileiro, a campineira Lix da Cunha chegou aos 90 anos de mercado em 2014. Quase centenária, a empresa ganha novo fôlego e quer atrair mais investidores para projetos nas áreas residencial, comercial e industrial. Atualmente, a Lix tem na carteira de projetos com parceiros um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 350 milhões. Uma das novidades do grupo é fortalecer a governança corporativa e sinalizar para o mercado a nova fase da construtora e incorporadora. Com capital aberto na Bovespa desde 1972, a empresa realiza no próximo dia 28 uma assembleia com os acionistas que vai colocar em votação o novo estatuto da Lix da Cunha. O objetivo é modernizar a gestão do grupo. Uma das novidades é a participação de um conselheiro independente no conselho de administração da empresa. Outra mudança proposta no estatuto é que as ações preferenciais darão direito a voto restrito a algumas matérias de interesse do grupo, que atua no segmento da construção civil. O presidente do Conselho de Administração da Lix da Cunha, Moacir da Cunha Penteado, afirma que a empresa quer buscar investidores para se aliar à companhia em projetos imobiliários. “A meta, com a elevação do nível de governança corporativa e as mudanças no estatuto da empresa, é a valorização das nossas ações com o aumento da liquidez. Dessa forma, o mercado ficará mais interessado em investir em projetos junto com a Lix da Cunha” , explica. Ele foi eleito o presidente do conselho de administração em setembro do ano passado. O conselho conta com cinco pessoas. Penteado explica que a Lix da Cunha não fará um lançamento de ações (IPO). “Nós queremos atrair mais investidores para fazermos parcerias em projetos”, diz. O executivo ressalta que os acordos podem ser firmados por meio de instrumentos como sociedade de propósito específico. “O mercado hoje é muito dinâmico e está movimentado, ainda que a economia esteja desaquecida”, pontua. O presidente do conselho diz que a empresa tem oito a nove empreendimentos a serem lançados em Campinas e região. “A Lix da Cunha atua hoje com a administração, gerenciamento e construção de obras da iniciativa privada”, afirma. Ele ressalta que o VGV dos empreendimentos que estão sendo executados com parceiros é de R$ 350 milhões. “Uma das obras que estamos executando em parceria com outras empresas é a extensão da Avenida Mackenzie”, lembra. A remuneração da empresa nos projetos ocorre por meio de uma taxa de administração. Penteado antecipa que a empresa também participará de um lançamento em Campinas na área residencial que terá 98 unidades no bairro Boa Esperança. “Também executaremos projetos em Jundiaí, Hortolândia, Piracicaba, Pedreira e Araçatuba”, afirma. Ele acentua que a chegada de novos investidores permitirá que a Lix da Cunha volte a atuar como incorporadora. Além de realizar as obras, a empresa possui uma usina de asfalto que fornece o produto para grandes empreiteiros e a própria empresa também executa a pavimentação. Finanças

O diretor de Relações com o Mercado da empresa, Elias Abrão Ayek, afirma que a empresa está consolidada no mercado, mesmo com os percalcos sofridos ao longo dos últimos anos com o “calote” aplicado por órgãos públicos. “Temos pelo menos R$ 1,3 bilhão em recursos para receber de contratos de obras públicas que executamos e não foram pagas. O problema vem desde a década de 1990 e já ganhamos vários processos na Justiça. Temos precatórios e também recursos provenientes de ações que ainda estão em discussão com os órgãos públicos”, conta. Ele comenta que o descaso do poder público prejudica os números da empresa. “Um outro problema é que não recebemos pelos serviços executados ou por contratos rompidos pelos órgãos públicos, mas somos cobrados pelos governos pelos tributos dessas obras que não foram recolhidos. A velocidade da cobrança do governo para receber os impostos é bem mais célere do que o pagamento devido pelas obras e cujos valores ainda não foram quitados à Lix da Cunha. Houve um impacto sobre o caixa da empresa, mas o grupo continuou sólido e sempre honrou os compromissos”, garante. O presidente do Conselho de Administração da Lix da Cunha afirma que a falta de pagamento dos governos teve reflexo sobre a estrutura da empresa. “Nós chegamos a empregar 11,3 mil pessoas no final do anos 1980 e nos anos 1990. Atualmente, temos 200 funcionários diretos”, detalha. O executivo afirma que a empresa continuará buscando reaver os recursos que são devidos pelo poder público e manterá a trajetória de fortalecimento do grupo, que chegou aos 90 anos em 2014.