Publicado 20 de Abril de 2020 - 19h05

A 29 edição da lavagem da escadaria da Catedral Metropolitana de Campinas reuniu centenas de pessoas na Praça José Bonifácio, no Centro da cidade, na manhã de ontem, Sábado de Aleluia. A multidão aguardava a chegada de 300 integrantes de religiões afro-brasileiras que há quase três décadas descem o calçadão da Rua 13 de Maio com cânticos, batucada de jongo e depois lavam os degraus da escadaria da principal igreja católica da Região Metropolitana de Campinas (RMC) num ritual que simboliza a limpeza e purificação, e é feito por membros de diversas casas de umbanda e candomblé.A lavagem é uma cerimônia que compartilha com o público presente a energia positiva dos elementos da natureza representados pela água perfumada com essência de alfazema e flores brancas, afirma Antonia Lima Duarte, mais conhecida como Mãe Corajacy, uma das idealizadoras da cerimônia em Campinas. Cerca de 400 litros da água preparada nas “casas de orixás” foram despejados na escadaria por volta do meio-dia, ápice da cerimônia. O público aglomerado nas grades de proteção que cercaram a igreja também recebeu a água perfumada e crisântemos distribuídos por representantes das religiões afro-brasileiras. Durante toda a tarde, diversas apresentações artísticas, como Bateria Alcalina, Grupo de Teatro Savuru, Grupo Urucungos, Ponto de Cultura Ibaô e Casa de Cultura Tainá, aconteceram em frente à Catedral.Pela primeira vez em quase 30 anos de realização, uma das idealizadoras da cerimônia em Campinas, Eunice de Souza, a Mãe Dango, não participou da celebração e mandou uma saudação lida por sua filha, Laureana Souza Gomes, a Mãe Kausele. “A perpetuação da lavagem é uma vitória muito grande. Representa existência, informação, união e cultura. É união em prol de um bem maior, que é a paz”, disse Laureana.Um ônibus fornecido pela Prefeitura de Campinas trouxe 25 pessoas do Templo Espiritual Cabocla Indaiá. A responsável pelo templo, Célia Ferreira da Cruz, a Mãe Célia de Oya, participa pela terceira vez e afirma que a lavagem purifica a alma.Segundo o secretário municipal de Cultura, Ney Carrasco, a Páscoa é um período de várias manifestações religiosas e a lavagem da escadaria representa diversidade e respeito. “É um grupo que vem sofrendo grande perseguição religiosa de outras religiões. E uma festa como essa, além de ser muito bonita, simboliza a tolerância e o respeito mútuo”, disse.O diretor de Cultura, Gabriel Rapassi, lembrou que o ritual da água simboliza a igreja mandando a injustiça embora. “É notório, ainda, o público crescente que prestigia a cerimônia. A atividade é pelo direito à diversidade religiosa e tem um aspecto cultural enraizado com apelo não somente para quem é da religião”, afirmou.Olhar atento ao cortejo que descia a 13 de Maio, o visitante de Taubaté Adriano Mendes, de 38 anos, achou interessante a manifestação cultural e acredita que festas como essa ajudam a preservar o patrimônio e a quebrar preconceito.