Publicado 20 de Abril de 2020 - 19h05

[CREDTEXTO_1L]Adriana Leite

[/CREDTEXTO_1L][PROCEDENCIA]DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A transferência das operações para o novo terminal do Aeroporto Internacional de Viracopos pode representar o fim das atividades para parte das lojas e restaurantes que estão no atual saguão de passageiros. Empresários com mais de 20 anos de casa sucumbiram aos aluguéis até cinco vezes superiores aos cobrados atualmente, luvas com preços considerados elevados e a preferência da direção do terminal, segundo os empresários, por marcas com abrangência nacional e internacional. A tendência no mercado de aviação é que os novos administradores dos aeroportos concedidos prefiram os grandes varejistas em detrimento de marcas locais.

A estimativa dos lojistas é que a partir de outubro mais de 300 pessoas possam ficar sem trabalho com o fechamento dos comércios. Muitos empresários lamentaram a situação e não sabem o que irão fazer se baixarem as portas no aeroporto. Vários reclamaram que investiram milhares de reais durante muitos anos, quando o terminal tinha menos de dez voos por dia e na época em que os passageiros eram escassos. Os empresários afirmaram que tiveram uma sinalização da Aeroportos Brasil Viracopos no ano passado de que haveria espaço para que todos fossem acolhidos no novo terminal.

Muitos comerciantes estão decepcionados e reclamaram da forma como foram tratados pela concessionária que administra o empreendimento. Os varejistas e proprietários de restaurantes comentaram que espaços de 80 metros quadrados, dependendo do ponto, custam mais de R$ 60 mil de aluguel por mês e as luvas chegam a R$ 200 mil. Mas os custos variam conforme o negócio, o tamanho da área e o local do ponto.

“Estou no aeroporto há mais de dez anos. Quando me instalei aqui, o fluxo de passageiros era muito pequeno. Os primeiros anos foram difíceis, mas insisti porque acreditei no aeroporto. Meu contrato, assim como de outros lojistas do atual terminal, termina no final de maio e deve ser estendido até o final de setembro. Depois não sei o que vai acontecer. Não firmei nenhum contrato até agora para me instalar no novo terminal”, comentou o responsável por um restaurante.

Ele afirmou que ao assumir a gestão do aeroporto, a concessionária pediu o apoio dos lojistas e prestadores de serviços para fortalecer as atividades do terminal e informou que haveria negociação com os concessionários para a instalação dos negócios no novo terminal. “A decepção é muito grande. O valor cobrado pelo metro quadrado na nova área é mais de cinco vezes o custo atual. Tem ainda as luvas. O meu faturamento precisaria aumentar muito para custear as despesas”, disse.

Perda

Um varejista do ramo de vestuário também reclamou das condições oferecidas pela concessionária do aeroporto. “Não há condições de bancar os valores exigidos pela empresa. Não tivemos nenhum privilégio nas negociações, mesmo estando há mais tempo no aeroporto. Vou tentar viabilizar uma nova loja em outro aeroporto. Os preços estão mais atrativos do que em Viracopos”, afirmou. Ele calculou que precisaria faturar mais de R$ 500 mil por mês para conseguir custear todas as despesas da loja. “Investi muito aqui e pelo visto vou perder os meus anos de trabalho”, disse.

Um dos mais antigos comerciantes do local lamentou que os empresários que passaram anos apostando no terminal, mesmo quando havia pouco público, não tenham sido valorizados. “No ano passado, a concessionária dialogou com os lojistas e perguntou quem tinha interesse em continuar aqui. Sabíamos que o custo de aluguel teria um reajuste e que as condições seriam diferentes dos contratos assinados com a Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária). A verdade é que fomos colocados de lado e o interesse dos novos gestores era colocar apenas grandes marcas no novo terminal. Tenho certeza de que estarei aqui até o final de setembro. Depois terei que sair”, afirmou.