Publicado 19 de Abril de 2020 - 5h30

O Bosque dos Jequitibás, um dos locais mais queridos da cidade, completa 136 anos em 2020, com grande apreço da população. Por ano, recebe cerca de 1 milhão de visitantes. Afinal, quem não gosta de caminhar por entre as árvores, sentir o cheiro da natureza, ver os animais tão de pertinho ou simplesmente se exercitar um pouco em uma área verde capaz de nos fazer esquecer a vida corrida ou a poluição do lado de fora? O bosque, com suas árvores centenárias, visto de cima, é uma mancha verde em meio ao monte de concreto das casas e prédios ao redor.

Toda a região do bairro do Bosque era conhecida como Campo das Caneleiras até o final do século XIX e pertencia a Francisco Bueno de Miranda, rico fazendeiro nascido no dia 1 de maio de 1840, em Itu. Além dessa propriedade, em Campinas, ele era dono da Fazenda Ventania em Amparo.

Na década de 1880, com a expansão do café e a chegada da Estrada de Ferro, a cidade estava cheia de novidades e inovações. Já havia mais facilidade na comunicação com São Paulo, Capital da província, com o Rio de Janeiro, onde ficava a Corte, e também com a Europa.

Os filhos dos proprietários das fazendas de café estudavam em Paris e em várias outras cidades europeias. Campinas precisava representar essa riqueza, modernidade e ganhar ares metropolitanos. Ser moderno, à época, representava ser organizado, civilizado e limpo. Limpeza tinha a ver com a luz do sol e circulação do ar. Isso se refletiu nas novas técnicas de construção das casas, privilegiando esses aspectos.

Por conta disso, surgiu a ideia de construir um parque onde fosse possível caminhar entre a vegetação, com espaços demarcados por alamedas. Sendo assim, em 1884, Miranda abriu parte de sua propriedade para o público. Conservou a vegetação nativa, criou alamedas e espaços para piqueniques. O projeto ficou por conta do arquiteto Ramos de Azevedo, que deu à área o conceito de jardim inglês.

Há registros de que ele cobrava ingressos, que custavam 500 réis por pessoa. Entusiasmado com o público, mandou instalar um bonde puxado por burro, ligando o Centro ao Bosque. No entanto, não tinha autorização da Companhia Carril, que controlava os serviços de transporte por bondes na época. Logo, a linha foi desativada. Isso fez com que diminuísse a visitação do público.

Com esse revés, Miranda resolveu, em 1915, vender o bosque para a Prefeitura, ao custo de 150 contos de réis. Mirando morreu aos 84 anos, no dia 23 de outubro de 1924.

A partir da aquisição pela Prefeitura, nas décadas seguintes, o espaço, que tem 10 hectares de área, recebeu novos projetos paisagísticos e urbanísticos para aprimorar o conceito do bosque e fazê-lo acompanhar o desenvolvimento da cidade ao longo do século.

Atrações

Com a gestão da Prefeitura, foram implantados no bosque o Aquário Municipal, que conta com 13 aquários de água doce e 10 de água salgada, além do Museu de História Natural, que tem animais empalhados e diversas espécies da flora e fauna.

No bosque também foi instalado o Teatro Carlos Maia, especializado em obras infantis, e a Casa do Caboclo, que emula uma residência rural, feita de pau-a-pique.

Mas a grande atração ainda é o minizoológico, que tem leões, macacos, hipopótamos, ema, tucanos, irara, corujas, araras, anta, preguiça, pavão e as inconfundíveis cotias, que correm soltas pelo espaço, além de muitos outros animais.