Publicado 19 de Abril de 2020 - 5h30

O número de famílias com dívidas em cheque especial, cartão de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais e prestações em geral bateu recorde este mês, chegando a 66,6%. Os dados são da pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), primeira feita pela entidade após o início da pandemia de coronavírus no País. O cartão de crédito é apontado pelos brasileiros como a principal modalidade de endividamento (77,6%). Os números do levantamento esboçam um panorama preocupante.

A crise provocada pela Covid-19 pegou a população de surpresa e grande parte das pessoas não dispunha de reservas ou recursos extras para uso em momentos emergenciais, como o enfrentado agora. A dificuldade para pagar as contas tem levado ao aumento da procura por crédito no sistema financeiro, o que, obviamente, instala um círculo vicioso, com a falta de dinheiro para honrar os compromissos assumidos.

Os cinco maiores bancos do País anunciaram há alguns dias a prorrogação por até 60 dias dos vencimentos de dívidas para clientes. Há reclamações, contudo, de problemas para ter acesso a esse benefício. Um dos fatores, apontam especialistas, está justamente no maior risco de inadimplência.

Em Campinas, o mês de abril começou com quase 55 mil inadimplentes. A Associação Comercial e Industrial decidiu, desde a sexta-feira (17), ampliar de 10 para 45 dias o prazo para que os devedores, pessoas físicas ou jurídicas, tenham o nome negativado a partir do momento em que são comunicados da dívida. Com a medida, se aumenta o tempo para a renegociação neste período crítico, de necessário isolamento social.

Contrariedades geradas pela crise são enfrentadas por pessoas e empresas. No Ensino Superior, por exemplo, com a suspensão das aulas presenciais e a expectativa de aumento do desemprego se espera elevação dos índices de inadimplência e evasão das instituições de ensino privado, projeta o sindicato do setor. As principais operadores de telefonia do País, por outro lado, anunciaram a promessa de maior flexibilidade no processo de cobrança para clientes com dificuldade de se manterem adimplentes. A tolerância, contudo, é válida apenas para clientes com restrições de mobilidade ou situação financeira menos favorecida.

A busca de alternativas para evitar a inadimplência, ou sua ampliação, tem mobilizado a todos. Neste momento de tamanha adversidade, a negociação e a resiliência para enfrentar desafios são bons caminhos.