Publicado 18 de Abril de 2020 - 5h30

Um dos luminares da literatura universal, o castelhano Miguel de Cervantes, na sua obra prima Dom Quixote, escreveu que: “A história é mãe da verdade, exemplo e aviso do presente, advertência para o futuro”. Este ensinamento tem validade para os tormentosos dias atuais, vívidos pela Humanidade no enfrentamento da terrível pandemia de coronavírus. A história tem ensinamentos válidos ao nosso presente e futuro.

Nestes artigos, distintos leitores e leitoras, tenho procurado estabelecer uma similitude e semelhança da situação atual com o ano de 1889, quando a nossa população sofreu, terrivelmente, com o flagelo da febre amarela. Dizem os entendidos que o coronavírus vai ter o seu índice de pico agora nos meses de abril, maio e, possivelmente, até junho.

Olhando para o nosso passado, o mês de abril de 1889 foi o cume e o ápice da mortalidade produzida pela febre amarela.

Por coincidência, hoje, sábado — 18 de abril—- data da publicação deste artigo, compatibiliza-se com 18 de abril de 1889, o dia mais cruel, vivido pelos moradores de Campinas.

No meu livro O Ovo da Serpente, a respeito desse dia 18 de abril de 1889 — quinta-feira — eu escrevi: “a morte ceifou 58 vítimas de febre amarela, estabelecendo assim o recorde macabro. Vários corpos ficaram muito tempo insepultados e os coveiros não conseguiram enterrá-los. Muitos deles ficaram estendidos na frente do cemitério, outros permaneceram nas soleiras das residências abandonadas. Os carros e carroças não davam vazão em transportá-los. Um verdadeiro horror, no dizer do jornalista Júlio de Mesquita, proprietário do jornal A Província, atual O Estado de S. Paulo.

A respeito desse dia tétrico, o mártir de Campinas, o jovem médico João Guilherme Costa Aguiar, em uma carta, escrevendo para sua esposa Hortência, ele já cansado e esgotado, assim se expressou: “Quando eu me deito, procurando um repouso para o corpo e para o espírito, debalde tento conciliar o sono, o gemido dos que lutam ainda, o arqueiro dos moribundos nos fazem como que uma obsessão. Parece que em cada um desses acentos, lúgubres da vítima fala uma voz repetindo, em todos os tons, a miséria da nossa ciência, se não a inépcia com que a exercemos. Deus de Misericórdia! Tenha Piedade de Nós!”.

Só, nesse mês de abril de 1889, faleceram 554 pessoas de febre amarela, e outras 214 de outras enfermidades...

Analisando esses números tétricos, com os dos dias de hoje, abril de 2020, vemos, distintos leitores e leitoras, que a situação de Campinas, de outras cidades e de outros estados, não é assim tão dramática.

Na atualidade, a medicina é mais evoluída, mais bem aparelhada, os nossos hospitais têm mais recursos técnicos, médicos, enfermeiros e profissionais de saúde altamente qualificados e experientes.

Se a lição da História, realmente, repetir-se, no final deste mês de abril, a pandemia de coronavírus terá uma curva decrescente, como que a aconteceu com a epidemia de febre amarela, em 1889, que se extinguiu, no mês de maio daquele ano do século XIX.

O que o Brasil, urgentemente, precisa é de união de todos, da classe política, da imprensa, da sociedade civil organizada, da população, contra o nosso inimigo comum, o terrível coronavírus!

Afigura-se-nos necessário recordar agora os ensinamentos do pai da Medicina Árabe,o médico persa ABN Ali Huceine Ibne Abdala, cujo nome foi latinizado para Avicena. Ele escreveu várias obras, com forte repercussão na Medicina Ocidental tais como o Cânone da Medicina e o Livro de Cura.

Do mestre da Medicina Árabe, vamos juntos, distintos leitores e leitoras, seguir como norma de nossa saúde mental, emocional e física, a sua lição preciosa, escrita, nos idos dos anos 1037, da era cristã:

“A imaginação é a metade da doença, a tranquilidade é a metade do remédio, a paciência é o primeiro passo para a cura".