Publicado 17 de Abril de 2020 - 5h30

A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviço de Saúde (SinSaúde) de Campinas, Leide Mengatti, foi destituída do cargo, por denúncias de assédio moral. A decisão foi proferida pela 1 Vara do Trabalho de Campinas, atendendo pedidos do Ministério Público do Trabalho (MPT). A decisão ainda cabe recurso, porém, Leide perde o mandato de dirigente sindical e fica inelegível para cargos sindicais por três anos.

A presidência da entidade foi assumida pela vice-presidente, Sofia Rodrigues do Nascimento. A reportagem tentou contato com Leide e com Sofia, mas não houve retorno.

O MPT também impôs à sindicalista o pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 500 mil, além de multa de 10% sobre o valor corrigido da causa (R$ 500 mil) por litigância de má fé, reversível aos cofres públicos da União. A verba da indenização será destinada a instituição ou projetos para a recomposição do dano social, a ser indicado pelo MPT na fase de execução do processo. “É um alívio essa decisão. A justiça foi feita. Com certeza, os funcionários não queriam essa indenização, mas que o assédio fosse cessado”, disse uma funcionária, cujo nome foi preservado.

Leide estava à frente do Sinsaúde há cinco anos, mas já integrava a entidade há 30 anos. De acordo com funcionários, o assédio moral passou a ser destacado quando Leide assumiu a presidência. Ao menos 30 pessoas, entre diretores, funcionários e prestadores de serviços denunciaram a presidente ao MPT. “Ela xingava, humilhava e até agredia. Ninguém podia discordar ou ter outra opinião que ela perseguia, ameaçava. Era muito desmando. Quando me demitiu, tive de fazer terapia para melhorar minha autoestima”, disse a ex-funcionária.

As provas do MPT apontam que “a ré foi além das humilhações impostas pelas vítimas: ela instaurou um clima de medo e opressão ”. “A Leide é pré-humana. Bizarra. Fez muito mal a muita gente”, disse um ex-assessor do sindicato que chegou a tentar suicídio.