Publicado 17 de Abril de 2020 - 5h30

O Hospital Samaritano Campinas vai testar o uso da hidroxicloroquina — medicação para malária — e do antibiótico azitromicina para o tratamento de pacientes com Covid-19. Será o único hospital privado do município e da Região Metropolitana de Campinas (RMC) a atuar na realização de testes para tentar inibir a proliferação da doença. Para verificar a eficiência dos medicamentos nos pacientes, a unidade hospitalar de Campinas estabeleceu uma parceria com o Instituto de Pesquisa Clínica de Campinas — que realiza estudos na área da Medicina — e com o Hospital Albert Einsten, de São Paulo.

Poderão fazer uso dos medicamentos os pacientes internados acometidos pela Covid-19, que tenham idade acima de 18 anos e apresentem autorização pessoal ou autorização dos familiares. A ideia é realizar 1,2 mil testes, com resultados entre 60 e 90 dias. O cardiologista José Francisco Kerr Saraiva, diretor do Instituto de Pesquisa Clínica de Campinas, vai coordenar os estudos em conjunto com médicos do Hospital Samaritano Campinas. Segundo Saraiva, um dos testes engloba o uso da hidroxicloroquina com a azitromicina. Outro tipo de teste será apenas com o uso da hidroxicloroquina.

Saraiva destacou a importância da autorização. “Como todo medicamento, há efeitos colaterais. Os testes só serão administrados nos pacientes com o consentimento deles ou autorização das famílias”, explicou.

O estudo tem como meta principal reduzir a quantidade de vírus.“A droga funciona na diminuição da replicação viral, ou seja, ela diminui o aumento da quantidade de vírus dentro do organismo”, explicou o médico Hugo Bertipaglia, que também integra a equipe de profissionais e é coordenador da Unidade Coronariana e UTI Respiratória do Hospital Samaritano Campinas.

Os dois médicos estão otimistas e têm grandes expectativas. “Esperamos que os medicamentos nos ajudem no combate à doença e tire todo esse sofrimento e angústia nesses tempos tão difíceis”, disse Bertipaglia. “Em meio a toda essa pandemia é necessário estudos de tratamentos que possam nos dar respostas científicas. É uma iniciativa muito boa e que traz esperanças aos pacientes”, concluiu Saraiva.

Estrutura

Para o enfrentamento da pandemia do coronavírus (Covid-19), o Hospital Samaritano Campinas estruturou-se para atender e tratar os pacientes. A Unidade abriu um Pronto-Socorro Respiratório separado do Pronto-Socorro Geral, montou uma Ala de Internação Respiratória com 16 leitos e uma UTI Respiratória com 13 leitos. Estes leitos foram adicionados aos já existentes no hospital.

Outro Hospital do grupo Samaritano que também foi preparado para atender aos pacientes com Covid-19 é o Santa Ignês, em Indaiatuba. Nele, também foi aberto um Pronto-Socorro Respiratório separado do Pronto-Socorro Geral. O Hospital tem Ala de Internação Respiratória com oito leitos e UTI Respiratória com 12 leitos. Os leitos são adicionais aos já existentes.

Annita tem resultados promissores no tratamento

O Annita, medicamento usado no tratamento de vírus intestinais e protozoários, está sendo testado para o combate ao coronavírus. Na quarta-feira, o ministro Marcos Pontes afirmou que um remédio tinha tido resultados promissores nas pesquisas realizadas pelo Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais (CNPEM), em Campinas. Pesquisadores descobriram que o medicamento é capaz de reduzir em 94% a carga viral da Covid-19 após 48 horas, segundo ensaios in vitro com células infectadas. O próximo passo será a realização de testes clínicos em 500 pacientes acometidos pela doença. A estimativa é de que os resultados sejam concluídos até a metade do mês de maio.

De forma independente, o laboratório FQM Farmoquímica, que comercializa o Annita no Brasil, realiza pesquisa para usar o princípio ativo do remédio, a nitazoxanida, no combate ao coronavírus. Os testes da farmacêutica usam dosagens do composto diferentes daquelas apresentadas no Annita, por isso a medicação não pode ser encontrada no mercado. Testes em pacientes infectados pela Covid-19 devem começar nos próximos dias.

Também nos próximos dias, as pesquisas realizadas pelo CNPEN serão estendidas a 500 pacientes infectados. A aprovação para pesquisa pelo Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) ocorreu na última terça-feira.

Ontem, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) incluiu o medicamento Annita e seus similares na lista de substâncias controladas. Agora, toda prescrição do medicamento à base de nitazoxanida precisa ser feita em receita especial de duas vias. (AAN)

GM dá máscaras e orienta população

A Guarda Municipal (GM) de Campinas distribuiu na manhã de ontem cerca de 400 máscaras descartáveis em duas agências da Caixa Econômica Federal, na Rua Barão de Jaguara, no centro da cidade. A iniciativa teve como objetivo alertar a população para a importância do uso da proteção individual em estabelecimentos que prestam os serviços essenciais durante a quarentena, como bancos, casas lotéricas, supermercados e farmácias. A utilização passará a ser obrigatória nesses locais na próxima semana na cidade, conforme decreto publicado anteontem no Diário Oficial do Município.

Oito guardas deram orientações aos cidadãos sobre o uso correto das máscaras. Eles também explicaram que é importante todas as pessoas manterem pelo menos um metro de distância entre elas enquanto estiverem na fila de qualquer estabelecimento. A GM conversou ainda com os responsáveis das agências bancárias para que eles fiquem atentos à organização das filas. Na quarta-feira, os guardas municipais da cidade distribuíram 800 máscaras na região da Avenida Francisco Glicério, onde há uma grande concentração de bancos e lotéricas, no Terminal Central de ônibus coletivo, e na Praça da Concórdia, que também reúne serviços essenciais autorizados a funcionar.

A partir da próxima terça-feira, todos os estabelecimentos da cidade só vão atender clientes que estiverem usando máscaras de proteção individual. Além disso, segundo o decreto da Prefeitura, os comerciantes também terão de promover a demarcação de solo nos espaços destinados às filas de clientes em atendimento, para que eles mantenham uma distância mínima de um metro uns dos outros. Os estabelecimentos terão ainda que limitar a entrada de pessoas, com o intuito de evitar aglomerações. Nesse sentido, os comércios só poderão permitir o ingresso de duas pessoas por grupo familiar, sendo que no local não poderá haver mais do que uma pessoa para cada cinco metros quadrados de área. A Prefeitura também recomendou aos serviços essenciais à instalação de barreiras físicas de vidro, acrílico ou similar, para proteger seus funcionários de uma possível exposição ao vírus. A Prefeitura recomenda que esses estabelecimentos tenham máscaras disponíveis para aqueles que comparecerem ao local. (Henrique Hein/AAN)

Estoque de vacina acaba e campanha recomeça na quarta

O estoque de vacinas esgotou-se ontem em Campinas e a Prefeitura vai retomar na próxima quarta-feira, dia 22, a campanha de vacinação contra a gripe Influenza — que auxilia no diagnóstico do coronavírus e combate a Influenza A (H1N1 e H3N2) e Influenza B.

A grande procura nas 66 unidades esvaziou o estoque de 26,8 mil doses da vacina, recebidas segunda-feira passada. Segundo a Secretaria de Saúde, novas doses deverão ser enviados hoje, mas a Prefeitura decidiu retomar a imunização depois do feriado de Tiradentes, dia 21 de abril.

Nesta segunda etapa, serão vacinados portadores de doenças crônicas e condições clínicas especiais; caminhoneiros; motoristas do transporte coletivo; carcereiros e funcionários do sistema prisional; além das pessoas que não tenham sido imunizadas na primeira fase.

A meta é imunizar pelo menos 90% de aproximadamente 84 mil pessoas nesta etapa, que vai até dia 8 de maio. Na primeira etapa da Campanha — entre 23 de março e 15 de abril, para idosos e profissionais da saúde —, Campinas aplicou mais de 180,6 mil doses da vacina. Foram imunizados 141,9 mil idosos, que representam 97% do público-alvo. No caso dos profissionais da saúde, o percentual ficou em 94,3%, com 38,7 mil aplicações da vacina.

Entre 9 e 22 de maio — terceira etapa da campanha — também serão vacinados as crianças de 6 meses a menores de 5 anos, gestantes, puérperas, professores, além de adultos de 55 a 59 anos de idade e pessoas com deficiência. (Gilson Rei/AAN)