Publicado 17 de Abril de 2020 - 5h30

Campinas voltou a registrar ontem, pelo terceiro dia consecutivo, uma taxa de isolamento social de 48%, bem abaixo dos 70% recomendados pelo Centro de Contingência do Coronavírus, em São Paulo, para que o número de leitos disponíveis no sistema de seja suficiente para atender à população. Para tentar aumentar o isolamento, o prefeito Jonas Donizette (PSB) anunciou que a partir de hoje, os guardas municipais e fiscais da Emdec estarão nas ruas em ações de convencimento à população para ficar em casa.

“Se superarmos os 50%, possivelmente até o dia 22, poderemos pensar em um horizonte melhor, com uma possível flexibilização da quarentena”, disse. Se a cidade quer que mais atividades econômicas sejam liberadas para funcionar, a cidade terá que ter isolamento maior. Campinas chegou a registrar uma taxa de 57% no domingo, e caiu para 48% e vem mantendo esse patamar.

O secretário de Saúde, Carmino de Souza, disse que a recomendação de chegar a 70% é inatingível apenas com o isolamento social. “Para isso teríamos que ter lockdown (fechar tudo). No Estado de São Paulo, nenhuma cidade ainda tingiu os 70%”, disse ele.

Jonas informou que ontem o secretário de Relações Institucionais, Wanderley de Almeida, recebeu um grupo de comerciantes reivindicando a abertura gradual do comércio. O prefeito disse que, hoje, não tem uma resposta a esse pedido. "Estamos encaminhando uma discussão, vou tentar falar por segmentos e até o final da próxima semana fazer uma reunião com eles, para discutir a flexibilização, desde que haja um aumento do isolamento social”, disse.

Aumento

O prefeito avaliou que está havendo aumento de veículos nas ruas e que na periferia houve pequena redução, mas ainda longe do ideal. “É preciso que a cidade colabore que não vá com a família nos supermercados, que use máscaras, que não fiquem próximas nas filas, que fiquem em casa. Sem isso, não vamos conseguir conter a pandemia”, afirmou.

A Prefeitura tem feito um monitoramento do isolamento e os números, informou o prefeito, estão de acordo com os divulgados pelo Estado, que utiliza o Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP).

A central de inteligência analisa os dados de telefonia móvel para indicar tendências de deslocamento e apontar a eficácia das medidas de isolamento social. Com isso, é possível apontar em quais regiões a adesão à quarentena é maior e em quais as campanhas de conscientização precisam ser intensificadas, inclusive com apoio das prefeituras.

De acordo com o governo do Estado, o Simi-SP é viabilizado por meio de acordo com as operadoras Vivo, Claro, Oi e TIM para que o Estado possa consultar informações agregadas sobre deslocamento nos 645 municípios paulistas. As informações são aglutinadas sem desrespeitar a privacidade de cada usuário. Os dados de georreferenciamento servem para aprimorar as medidas de isolamento social para enfrentamento ao coronavírus.

Mais duas mortes são confirmadas na cidade

Campinas registrou ontem mais duas mortes por coronavírus, elevando para sete o número de óbitos em decorrência da Covid-19, e subiu para 152 os casos confirmados da doença. Mas também tem boa notícia: o número de casos descartados é maior que os confirmados e pela primeira vez, desde o início da pandemia, reduziu a quantidade de pessoas que esperavam resultado dos testes. “Isso pode indicar que estamos caminhando para uma estabilização dos casos”, disse o prefeito Jonas Donizette (PSB) durante live, ontem, nas redes sociais.

As duas mulheres que morreram por Covid-19 integravam o grupo de risco. Elas tinham de 71 e 90 anos, estavam internadas em hospitais privados e tinham comorbidades (outras doenças). Ontem foram confirmadas mais 14 ocorrências, elevando para 152 o número de infectados. Vinte estão internados, e os demais seguem em tratamento domiciliar ou já foram curados. Na quarta-feira havia 23 pessoas infectadas em tratamento hospitalar.

A ocupação de leitos de UTI vem aumentando com pacientes das mais diversas doenças. Dos 661 leitos adultos, pediátricos e neonatais distribuídos nas redes pública e privada, 383 estavam ocupados ontem — taxa de ocupação de 57,9%. A preocupação da área de saúde é manter leitos disponíveis para garantir o atendimento da população, especialmente as que tiverem agravamentos por Covid-19. Já há cidades em que o atendimento entrou em colapso. Dos leitos ocupados em UTI, segundo o secretário de Saúde, Carmino de Souza, a maioria é de pacientes atendidos pelo SUS.

Ele informou que um levantamento feito pela equipe de Saúde apontou que houve uma redução de 5% nas ocorrências de síndrome respiratória aguda grave (não necessariamente por coronavirus) na cidade. Campinas tem cerca de mil pessoas com quadros gripais. (MTC/AAN)

Mulher de 35 anos é primeira vítima fatal em Hortolândia

As 20 cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) contabilizam 17 mortes por coronavírus e 274 casos positivos da doença. Ontem, foram anunciadas as três mortes mais recentes, sendo duas mulheres (71 e 90 anos) em Campinas, e uma mulher (35 anos) em Hortolândia.

Campinas lidera o quadro de mortes com sete vítimas, seguida por Americana e Valinhos, com três mortes em cada. As demais cidades com vítimas fatais são: Nova Odessa; Itatiba; Indaiatuba; e Hortolândia, com uma morte em cada município.

A Prefeitura de Hortolândia começou a confeccionar máscaras de proteção tilizadas por servidores que trabalham na linha de frente do combate à Covid-19. O trabalho é realizado por cerca de 20 bolsistas do Programa Acerte, desenvolvido pela Secretaria de Inclusão e Desenvolvimento Social.

A RMC somava 274 casos de coronavírus até a noite de ontem: Campinas (152); Indaiatuba (27); Americana (18); Valinhos (15); Vinhedo (11); Paulínia (10); Itatiba (9); Sumaré (8); Hortolândia (7); Santa Bárbara d'Oeste (5); Morungaba (4); Nova Odessa (3); Holambra (2); Jaguariúna (1); Monte Mor (1); e Artur Nogueira (1). (Gilson Rei/AAN)

Projeção é de retomada em 2021

As projeções da Administração para a economia 2021, após o baque que deve ser registrado neste ano por causa da pandemia de coronavírus, são de retomada do crescimento, mas a previsão adotada é cautelosa: na Lei de Diretrizes Orçamentárias enviada à Câmara, o prefeito Jonas Donizette (PSB) estima que o orçamento do próximo ano será de R$ 6,3 bilhões, apenas 1,6% acima do válido para este ano, de R$ 6,1 bilhões.

A expectativa inicial para 2020 não deverá se confirmar, em função da queda esperada das receitas, especialmente de ISS e ICMS, como resultado do isolamento social imposto para o combate da disseminação do novo coronavírus. A Câmara Federal aprovou esta semana ajuda a estados e municípios para compensar perda de arrecadação de ICMS e ISS em razão da pandemia de Covid-19. Havia o compromisso do governo de repasse aos entes subnacionais da diferença de receitas deste ano em comparação aos valores nominais do ano passado, mas na terça-feira, equipe econômica do governo federal passou a falar em recomposição de receitas aos municípios pelo critério per capita.

O governo federal estima que a economia brasileira avançará 3,3% em 2021, de acordo com a previsão da LDO encaminhada ao Congresso esta semana.

Mesmo com o pequeno crescimento projetado, a previsão da Administração é de um déficit primário de R$ 79,4 milhões, ainda assim inferior aos R$ 188,2 bilhões projetados para 2020 (que também não deve se confirmar, já que a previsão é de que a Covid-19 fará as despesas aumentarem e as receitas caírem).

Na mensagem à Câmara, o prefeito afirma que em período de dificuldades econômicas pelo estado de calamidade pública que afeta todo o País, e que terão repercussão nos orçamentos futuros, procurou dar diretrizes factíveis ao orçamento anual.

O crescimento projetado para o orçamento do próximo ano embute uma inflação de 3,66% e um crescimento de 2,62% do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do resultado primário negativo, a cidade ainda terá capacidade de endividamento e poderá lançar mão de operações de crédito para os investimentos necessários. A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) estabelece que o limite de endividamento dos municípios seja de 120% das receitas correntes líquidas. O endividamento de Campinas previsto para o próximo ano é de R$ 2,04 bilhões, o que representa 31,51% sobre as receitas correntes líquidas.

O projeto da LDO prevê renúncia fiscal de R$ 184,5 milhões no próximo ano, que será coberta, de acordo com a proposta, pelo aperfeiçoamento das rotinas para lançamento de novos empreendimentos, e da fiscalização da cobrança dos tributos municipais, entre outros. Na previsão para 2021, a Educação terá investimento de R$ 1,19 bilhão em reformas, construções e ampliações de unidades escolares, concurso público e aquisição de equipamentos. A Saúde terá R$ 1,23 bilhão do Fundo Municipal de Saúde para garantir, ampliar e qualificar o acesso aos serviços. (MTC/AAN)

Tendas do Exército são montadas no Mário Gatti

A Rede Mario Gatti, responsável pelo atendimento de urgência e emergência da rede municipal de saúde de Campinas, começou a receber a instalação de tendas cedidas pelo Exército, que vão integrar o sistema de recepção e encaminhamento de pacientes acometidos pela Covid-19. Segundo o presidente da Rede, Marcos Pimenta, as tendas deverão facilitar o fluxo assistencial e impedir aglomerações. A Rede é formada pelos hospitais Mario Gatti e Ouro Verde, além das quatro UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) e o Samu.

Segundo Pimenta, neste momento são áreas de apoio assistencial, mas que poderão ser adaptadas caso haja um aumento expressivo no volume de pacientes atendidos.

Hospital de Campanha

A Rede Mário Gatti também vai fazer a gestão da implantação e operação do Hospital de Campanha que foi oferecido à cidade pela ONG Expedicionários da Saúde — EDS.

A decisão foi tomada após a negativa da Unicamp em abrigar esta Unidade de Saúde Emergencial. Ontem, profissionais da Rede Mário Gatti conheceram as estruturas do Hospital de Campanha montado pela Prefeitura de São Paulo no Estádio do Pacaembu.

A estrutura de Campinas será instalada na área cedida na sede do Centro de Aprendizagem e Mobilização pela Cidadania (Patrulheiros) e abrigará até 114 leitos para pacientes de menor complexidade. (AAN)