Publicado 17 de Abril de 2020 - 5h30

Desde que as primeiras medidas de isolamento social decretadas por universidades, governos estaduais e prefeituras tiveram início, já se passaram cinco finais de semana, incluindo o feriado de Páscoa. Em poucos dias, mais um feriado prolongado, o de Tiradentes. Todos essas datas são bem-vindas para o setor de Turismo, pois geram incremento de viagens. O Outono, por sua vez, acaba de começar no Brasil e esse clima ameno é o queridinho de muitos turistas em roteiros charmosos pelo Sudeste e Sul. A região de Campos do Jordão, por exemplo, fica a 3h de Campinas. Suas delícias gastronômicas com a beleza natural do entorno convidam a passeios agradáveis. Enfim, tudo isso praticamente acabou por conta da pandemia, É de se imaginar o desespero de quem depende do setor de Turismo.

Dados divulgados na última terça-feira pela Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) dão uma dimensão dessa tragédia econômica e social, afinal milhares de famílias dependem do segmento, um dos grandes empregadores das economias em todos os continentes. A estimativa da entidade é de um impacto de R$ 3,9 bilhões em adiamentos e cancelamentos de viagens, que já passam de 90% até maio — receita que não entrou para a cadeia que oferece os serviços. Por isso, a Braztoa pede a implementação rápida de políticas públicas de apoio ao setor turístico.

As operadoras de turismo são empresas que montam pacotes e programas de viagens que são comercializados pelas agências, e a perda contabilizada em 2020 já equivale a cerca de 25% de todo o faturamento das operadoras em 2019, que foi de R$ 15,1 bilhões.

Segundo o balanço, conforme reportagem da Agência Brasil, 90,4% dos embarques programados para março foram adiados ou cancelados. O percentual sobe para 96,2% se considerados os embarques de abril e abrange 94,2% das viagens marcadas para maio.

Há outras informações interessantes no balanço: um terço dos clientes que cancelaram as viagens já recebeu o reembolso à vista, 43% ainda estão no período de carência para reembolso, 11% optaram por carta de crédito e 10% serão pagos de forma parcelada ou negociada.

A pesquisa da Braztoa aponta ainda que 10% dos trabalhadores das operadoras de turismo foram demitidos entre 29 de fevereiro e 31 de março. O dado seguramente é estimado, se se considerar a rede que não faz parte da entidade. A retomada das vendas se dará ainda em 2020, apostam os empresários, mas a recuperação do setor deve ser lenta. É preciso pensar com carinho no segmento, um importante motor da economia.