Publicado 21 de Abril de 2020 - 8h06

Por Maria Teresa Costa

A partir de amanhã, todos os estabelecimentos essenciais em funcionamento na cidade só poderão receber clientes que estiverem com máscaras

Leandro Ferreira/AAN

A partir de amanhã, todos os estabelecimentos essenciais em funcionamento na cidade só poderão receber clientes que estiverem com máscaras

A parcela do comércio de Campinas que está autorizada a funcionar durante a quarenta avalia que terá dificuldades para atender seus clientes a partir de amanhã, se eles não trouxerem máscaras de casa. Além de caras, disse a presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Adriana Flosi, há escassez do produto no mercado e o comércio não terá como fornecê-lo. Segundo ela, as empresas cumprirão o decreto e não irão atender quem estiver sem a proteção.

A partir de amanhã, serviços essenciais que permanecem abertos durante a quarentena de enfrentamento da disseminação do novo coronavírus terão que adotar medidas a mais de proteção, incluindo os clientes. Decreto editado pelo prefeito Jonas Donizette determina que, além de limitar número de clientes em atendimento, demarcar solo, terão que impedir o atendimento das pessoas que não estejam usando máscaras de proteção. Também a partir de amanhã, as óticas estarão autorizadas a reabrir.

Os estabelecimentos que descumprirem o decreto estarão sujeitos às penalidades como auto de infração, multa que varia de R$ 240 a R$ 274 mil ou, ainda, lacração do estabelecimento. De acordo com Adriana Flosi, as pessoas irão se conscientizar da importância de usar máscaras.

A rede Dalben, por exemplo, informou que está orientando os consumidores a levarem máscaras ou que adquiriram em suas lojas com margem de lucro zero. O Carrefour informa, por nota, que atua em linha com as determinações da Prefeitura. A companhia esclarece que também já está orientando seus clientes quanto â necessidade do uso de máscaras.A Associação Paulista de Supermercados (APAS) lembra que diversas cidades, por meio de decreto, obrigam os funcionários dos supermercados a utilizarem máscaras nesse momento excepcional de contingência, sendo necessário cumprir tais determinações. Além disso, buscando minimizar o aumento de casos da Covid-19, o Ministério da Saúde vem orientando que as pessoas utilizem barreiras físicas, inclusive máscaras caseiras.

“Portanto, é relevante tanto para a percepção de valor pelo consumidor, como para os próprios empregados, que os funcionários dos supermercados estejam protegidos com barreiras físicas, não se esquecendo de adotar as demais medidas para evitar o contágio”. A entidade não se manifestou, no entanto, se os supermercados de Campinas disponibilizarão máscaras aos clientes, cedendo ou vendendo o produto para quem chegar aos estabelecimentos sem a proteção.

Saúde

A Secretaria Municipal de Saúde está definindo as medidas que terão que ser adotadas pelos estabelecimentos de saúde em Campinas, em relação ao uso obrigatório de máscaras. O setor ficou fora do decreto publicado na semana passada, que estabeleceu a obrigação da proteção para funcionários e clientes de estabelecimentos de serviços considerados essenciais. A medida determina que os serviços forneçam as máscaras e impeçam a entrada de pessoas sem a proteção.

Hospitais estão preocupados com regras que venham a ser impostas e que possam obrigar o fornecimento de máscaras, por exemplo, aos acompanhantes de pacientes. O Hospital Maternidade de Campinas chegou a comunicar, na sexta-feira, antes de saber que a norma não valeria para a área da saúde, que não teria como cumprir uma regra tão ampla.

O hospital tem uma demanda de 40 mil máscaras de proteção por mês apenas para a equipe assistencial, que inclui médicos, enfermeiros e demais profissionais da Saúde que estão em contato direto com paciente. Se tiver que fornecer a proteção para os funcionários e colaboradores também das áreas administrativas e para os pacientes e seus acompanhantes para que tenham acesso ao hospital, terá que dobrar o fornecimento. A Secretaria de Saúde analisa medidas específicas para o setor e deve divulgá-las esta semana. 

Começa a montagem de hospital

O hospital de campanha cedido pela ONG Expedicionários da Saúde começou a ser montado ontem na sede dos Patrulheiros, no Parque Itália, em Campinas, para atender pacientes com suspeita de infecção pelo novo coronavírus. A estrutura, que inicialmente teria 108 leitos, será ampliada para 114. Os leitos serão utilizados como retaguarda, para atender pacientes com complexidade intermediária, e a previsão é que inicie o atendimento na 1ª quinzena de maio.

O hospital começará a funcionar com 36 leitos, e será ampliado na sequência com mais 18, depois 30 e mais 30. Localizado próximo ao Hospital Municipal Mário Gatti, em uma área estratégica onde também está o Ambulatório Médico Especializado (AME), que atende desde a semana passada.

A Prefeitura decidiu assumir o custeio do hospital de campanha após a Unicamp desistir de receber o equipamento por não ter condições de arcar com o custeio porque seu foco é no atendimentos de pacientes de alta complexidade.

A Administração estima que o custo de implementação da unidade, que ocorrerá em módulos, será de R$ 3,9 milhões ao mês. A Prefeitura vai isentar os Patrulheiros do consumo de água, pagará a energia e dará isenção de IPTU no período em que estiver utilizando o prédio.

A ONG Expedicionária da Saúde cedeu macas, lençóis e equipamentos hospitalares. 

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Maria Teresa Costa