Publicado 18 de Abril de 2020 - 10h52

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Wagner Souza/AAN

Pensadores contemporâneos, analistas políticos e econômicos e especialistas da área de infectologia têm reiteradamente manifestado que o mundo não será o mesmo após a pandemia da Covid-19. As transformações de hábitos, no momento, têm sido uma resposta do público e do privado a uma situação de emergência, ou seja, trata-se de uma pandemia que impõe condutas responsáveis, etiquetas respiratórias e sociais e, principalmente, isolamento social. Autoridades sanitárias de todo o mundo reforçam que o distanciamento é a medida mais eficaz, conforme demonstram evidências clínicas e científicas, para achatar a curva dos casos, evitar o colapso do sistema de saúde e poupar vidas. O resto é achismo, ignorância e irresponsabilidade.

Neste sentido, diante de um vírus com altíssima letalidade e sem remédio e nem vacina, o esforço das autoridades visa a conscientizar a população da necessidade do confinamento, independentemente da idade. O argumento de que a medida só valeria para os grupos de risco ou idosos é facilmente rebatido, pois os jovens, uma vez em vida normal, trariam o vírus para dentro de suas casas, contaminando pais, avós e pessoas do seu círculo familiar. Não precisa ser infectologista para deduzir tal cenário.

A pandemia, portanto, cobra uma fatura extremamente alta não só na saúde física e mental mas também na forma como cada indivíduo a percebe, se eufemizando e ridicularizando ou se comportando de maneira civilizada e coletiva.

É exatamente nesse ponto que o sentido comunitário prevalece, fazendo das condutas egoístas e individualistas um perigo de saúde pública. O cidadão que age por impulso e que não adota a cartilha da prevenção, usando máscaras quando tiver que ir ao supermercado, banco ou lotérica, por exemplo, mostra um desapreço ao conceito coletivo, ignorando as orientações das autoridades sanitárias mas também colocando-se como personagem supostamente imune e invencível. A Covid-19 já mostrou que não é doença de estrato social. Em espaços de alta renda ou em comunidades pobres, o vírus circula da mesma maneira. Os hospitais públicos de periferia e os privados de excelência estão sujeitos aos mesmos desafios de superlotação de seus leitos.

É por isso que o coronavírus carrega consigo um aviso evidente: o “eu” não é mais importante que o “todo” — sem o espírito de colaboração, nenhuma política séria de combate à pandemia dará resultado. Os números em todos os continentes falam por si.

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