Publicado 18 de Abril de 2020 - 8h37

Por Da Agência Anhanguera

O repórter Gil Rei, a editora Eunice Gomes e o paginador Marcos Marquezin, separados por distância segura, numa redação quase vazia: mudanças

Leandro Ferreira/AAN

O repórter Gil Rei, a editora Eunice Gomes e o paginador Marcos Marquezin, separados por distância segura, numa redação quase vazia: mudanças

Fundado em 1927 por Álvaro Ribeiro, o jornal Correio Popular registrou todas as mudanças importantes da cidade de Campinas ao longo deste quase um século de existência. O jornal também passou por mudanças significativas – quando, por exemplo, no início dos anos 1990, passou a ter a redação informatizada com a chegada dos computadores e o adeus às máquinas manuais de escrever. Mas, em raras oportunidades ao longo desses quase 100 anos, a empresa experimentou uma mudança tão radical na forma de se produzir um jornal como agora, com o advento da pandemia do coronavírus.

Como em nenhum outro momento de sua história, o jornal está sendo feito com mais de 90% de seus repórteres, editores, fotógrafos, designers, paginadores, infografistas e outros profissionais envolvidos diretamente na produção da edição diária, distantes da redação.

Como em nenhum outro momento em sua história, tradicionalíssima, a redação da Rua Sete de Setembro, na Vila Industrial, está hoje quase vazia – numa transição que começou pouco antes da instituição da quarentena na cidade, determinada por decreto do prefeito Jonas Donizette e que passou a valer a partir do dia 23 de março.

Aos poucos, os profissionais foram sendo colocados no chamado home office — ou seja, passaram a fazer o trabalho em casa.

Reuniões virtuais

As ruidosas e até então imprescindíveis reuniões de pauta tiveram de ser substituídas por encontros virtuais. Mensagens via WattsApp – algumas delas em texto, mas um grande volume em áudio – substituíram as discussões sobre fontes e enfoques de cada reportagem.

Primeiro, saíram os que integravam os chamados grupos de risco – pessoal acima dos 60 anos de idade e aqueles com histórico de doenças crônicas como hipertensão, problemas cardíacos, diabetes, por exemplo. Assim, as estações de trabalho foram sendo gradativamente transferidas para um cômodo da casa de cada um.

O volume de profissionais em home - office só cresceu depois disso. A cada semana, o grupo que permanecia na redação diminuía, até que acabou sendo implantado um sistema de revezamento. Hoje, todos ficam algum período da semana trabalhando em casa – numa situação inédita na história do jornal.

Para viabilizar esse novo modelo, inúmeras providências técnicas tiveram de ser adotadas, numa transição repleta de detalhes.

Tecnologia

Cada repórter em casa, exigiu do time da Tecnologia da Informação (TI) uma nova configuração em seu computador pessoal. Mas, para que esse processo funcionasse perfeitamente, os computadores utilizados por esses profissionais na sede ficam permanentemente ligados – num sistema chamado de VPN (Virtual Private Network), uma rede de conexão virtual que permite os trabalhos a distancia.

Eficiência

O chefe de reportagem, Tote Nunes, por exemplo, define pautas e discute os encaminhamentos das matérias de sua casa. Teve de montar um grupo de WattsApp específico apenas com os repórteres e fotógrafos, para evitar congestionamento de mensagens no grupo exclusivo de editores.

“O sistema, que se acreditava inviável até então, se mostrou bastante eficiente”, diz Nunes.

A editora de Cidades, Laine Turati, conta que ficou um tanto assustada nos primeiros dias, com o volume de informações que recebia e tinha de responder por conta de discussões sobre pautas e enfoques — situações que anteriormente, lembra ela, eram facilmente contornáveis com uma conversa rápida, de poucos minutos.

A repórter especial Maria Teresa Costa diz que há muitas vantagens de se trabalhar em casa, mas ressalta ter a impressão de que também se produz mais. “A produção, muitas vezes. começa muito antes do horário e termina muito depois”, detalha ela.

Bons resultados

“Como se trata de uma nova forma de fazer, há dificuldades de operacionalização, mas o resultado tem sido muito melhor do que esperávamos”, observa o editor-executivo do Correio, Marcelo Pereira.

“A produção do jornal foi mantida, assim como a qualidade do material e isso se deve ao empenho dos profissionais”, enaltece o diretor editorial do Grupo RAC, Nelson Homem de Mello.

O diretor faz uma referência especial aos repórteres e repórteres fotográficos — os únicos a permanecerem na redação — e na rua. “Sem eles, não haveria imagens e relatos de ruas desertas, aglomerações, manifestações contra isolamento, cientistas e médicos em pleno trabalho”, diz.

Site: recorde com 1,2 milhão de usuários

O diretor editorial Nelson Homem de Mello lembra ainda que o site do Correio Popular (www.correio.com.br) registrou um vertiginoso salto de audiência durante esse período da pandemia. Na primeira semana de abril, fechou um período de trinta dias com uma visitação de 1,2 milhão de usuários únicos. Só na primeira semana de abril, foram quase 248 mil novos usuários e a visualização acumulada das páginas do site chegou a 910.678 mil.

Considerando o modelo multiplataforma dos veículos do Grupo RAC, a audiência de todo o conteúdo disponibilizado pelo Correio aos seus assinantes, leitores e seguidores supera a marca de 1,5 milhão.

Além do site de notícias, principal presença digital do Grupo RAC, o Correio mantém um jornal impresso (disponível também na versão flip/digital), a Revista Metrópole(impressa e digital) e os canais de informação das redes sociais, como Facebook, Instagram, Twitter e o aplicativo WhatsApp. Toda essa audiência converge para um robustaconjunto de seguidores que escolheu o grupo como modelo de jornalismo de qualidade.

Neste conjunto ainda tem assento a Gazeta de Piracicaba, referência de conteúdo para os leitores da cidade e que apresenta o seu noticiário com o selo do Grupo RAC.

Área comercial do jornal também adota novo modelo

As mudanças significativas de trabalho atingiram também o Departamento Comercial. “Assim que percebemos a gravidade da situação, colocamos todo o pessoal em home office”, conta o gerente comercial do Grupo RAC, Aparecido Donizeti Ribeiro. A partir daí, diz ele, a comunicação passou a ser apenas virtual, com mensagens de texto, vídeo e áudio. As reuniões semanais que exigem a participação do grupo, passaram a ser feitas por videoconferência. Como uma forma de estimular o pessoal , Ribeiro conta que a empresa chegou mesmo a inovar. “Fizemos até um vídeo happy hour”, conta ele, “O principal objetivo é estarmos juntos dos clientes nestes momentos tão difíceis que estamos vivendo”, explica.

O gerente comercial do grupo – que envolve o Correio Popular, a Revista Metrópole, o portal, as redes sociais e o Clube Metrópole — avalia que, para os anunciantes, manter a marca em evidência agora é fundamental para que não caia no esquecimento e possa ter uma retomada forte depois, quando a pandemia passar.

“Estamos oferecendo ótimas oportunidades para que o cliente se mantenha em evidência. Depois, ganha visibilidade até maior quando tudo se normalizar”, diz o gerente. Ribeiro conta que o Grupo RAC criou para os parceiros do Clube Metrópole uma página de Delivery, onde cada marca possa ter maior visibilidade junto a seus clientes. 

“Fizemos um banner no nosso portal direcionando, com um simples clique, os visitantes do site para esta página. Todos que anunciarem agora, mesmo pagando preço de custo, ganharão um banner em nosso portal, que, este mês, teve 1.2 milhão de usuários únicos, mais um anúncio como bonificação no futuro quando tudo se normalizar”, antecipa ele.

Análise

O publicitário Marcos Sá, diretor de comercialização de mídias do Grupo RAC, reconhece que este é um momento delicado para pequenas, médias e grandes empresas, mas afirma que não se pode falar em recuos.

“Uma empresa tem o tamanho que a marca dela tem na cabeça do consumidor”, argumenta. “As marcas que deixam de anunciar desaparecem. O vazio deixado por uma marca num determinado segmento, é rapidamente ocupado por outra. E isso vale para todas as empresas”, adverte ele.

“Num momento de crise, quando a tendência maior das empresas é diminuir o número de anúncios, aí é que aparece a oportunidade”, acredita.

Sá diz que o anúncio não precisa, necessariamente, tratar de venda. “Pode ser institucional, de utilidade pública, de orientação ao consumidor. O importante é que se mantenha presente”, ensina. “Não pode perder a oportunidade de estar presente junto ao seu público consumidor”, acrescenta.

“Neste momento de crise, minha recomendação é que as empresas não deixem de anunciar; que invistam em propaganda. Que não considerem a propaganda como uma despesa, mas sim um investimento. Porque, logo ali na frente, vão receber os frutos desse investimento.”, finaliza ele. 

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Da Agência Anhanguera