Publicado 18 de Abril de 2020 - 8h02

Por Maria Teresa Costa

Movimentação na região do Calçadão da 13 Maio é maior do que no início da quarentena: taxas menores de isolamento foram registradas na RMC

Leandro Ferreira/AAN

Movimentação na região do Calçadão da 13 Maio é maior do que no início da quarentena: taxas menores de isolamento foram registradas na RMC

A quarentena imposta para o enfrentamento da pandemia por coronavírus será prorrogada pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) até 10 de maio, seguindo decisão do governo do Estado que anunciou ontem a extensão do prazo que venceria na próxima quarta-feira. Segundo o governador João Doria (PSB), a medida foi validada pelo Comitê de Contingência do Coronavírus e vale para os 645 municípios paulistas. No Estado, o isolamento social médio está em 49% e em Campinas, após três dias consecutivos registrando 48%, caiu para 47%.

Nesse período, informou o prefeito, algumas atividades poderão ser liberadas, dentro de critérios sanitários. A partir de quarta-feira, as óticas passarão a funcionar, com a observação de medidas de controle sanitário, como o atendimento restrito a 30% da capacidade, uso de máscaras pelos funcionários e clientes e disponibilização de álcool em gel.

De acordo com Jonas, o Comitê Municipal de Enfrentamento ao Covid-19 referendou a decisão e avalia ampliar a flexibilização para outras atividades, de acordo com avaliações do grau de serviço essencial que representam. “Todas as decisões de flexibilização passarão pelo crivo do comitê”, disse.

No caso das óticas, Jonas definiu a abertura após reunião com a presidente da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Adriana Flosi, e com o presidente da Câmara Municipal, Marcos Bernardelli. Na semana passada, o vereador Fernando Mendes (PSB) foi porta-voz dos proprietários de óticas na reivindicação da flexibilização para o setor. Segundo o parlamentar, muitos dos profissionais que estão na linha de frente no combate ao coronavírus, como médicos e enfermeiros, necessitam fazer a acuidade visual. Na Capital, o prefeito Bruno Covas incluiu, em março, as óticas como serviços essenciais, seguindo o governo federal.

“O governador está sendo responsável e as atitudes que vou tomar aqui serão todas dentro do crivo do comitê e com responsabilidade”, disse Jonas. Para o prefeito, é essencial que as pessoas mantenham o isolamento social para o enfrentamento da Covid-19, que vem crescendo em Campinas. Ontem a cidade chegou a 163 casos confirmados, enquanto espera o resultado dos testes de 1.082

Campinas vem mantendo uma taxa baixa de isolamento social — nos últimos três dias ficou em 48%, e ontem caiu para 47%, quando o ideal é de 70% para que o sistema de saúde tenha condições de garantir o atendimento à população. Dos 664 leitos de UTI (adultos, pediátricos e neonatais), distribuídos nas redes públicas e privada do Município, 366 deles, ou 55,1% estavam ocupados ontem.

Ao decidir pela prorrogação da quarentena até 10 de maio, o governador disse que seguiu critérios sanitários. “Aqui nós não brigamos com a ciência, nós respeitamos a ciência. E a orientação da ciência foi para prorrogarmos a quarentena até o dia 10 de maio”, afirmou. O governador relatou que o isolamento social caiu para 49% no Estado, o que preocupa as autoridades, já que o sistema de saúde está próximo do colapso. Ontem, os municípios paulistas registravam 11.568 casos confirmados de Covid-19, com 853 mortos. Há ainda 1.125 pessoas internadas em UTIs.

RMC registra queda da taxa da isolamento

A taxa de isolamento social na Região Metropolitana de Campinas (RMC) votou a cair, segundo o Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi-SP) do Governo de São Paulo. A média nas dez cidades acompanhadas pelo sistema na região reduziu de 49,1% para 48,6% ontem. Campinas, depois de três dias consecutivos com 48%, caiu ontem para 47%. A queda foi registrada em seis das dez cidades monitoradas: em Americana caiu de 50% para 49%, Hortolândia de 51% para 50%, Itatiba de 47% para 46%, e Vinhedo de 54% para 53%, Indaiatuba de 52% para 51%. Já Paulínia, Valinhos e Sumaré mantiveram a taxa de isolamento em 49%, 50% e 45% respectivamente. Santa Bárbara d´Oeste foi a única que conseguiu aumentar o isolamento, de 45% para 46%. De acordo com o Coordenador do Centro de Contingência do coronavírus em São Paulo, o médico infectologista David Uip, a adesão ideal para controlar a disseminação da Covid 19 é de 70%. A central de inteligência analisa os dados de telefonia móvel para indicar tendências de deslocamento e apontar a eficácia das medidas de isolamento. Assim é possível apontar em quais regiões a adesão à quarentena é maior e em quais as campanhas de conscientização precisam ser intensificadas, inclusive com apoio das prefeituras. 

FNP contradiz afirmação de Bolsonaro

Após o anúncio da mudança de comando no Ministério da Saúde, o presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), Jonas Donizette (PSB), se manifestou sobre as declarações feitas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e disse que ele falta com a verdade quando fala que prefeitos tomaram medidas sem consultar o governo federal. “A própria imprensa recebeu o ofício que mandamos, por duas vezes, pedindo orientações de como proceder diante das falas com relação à preocupação com a economia”, afirmou.

“As decisões que tomamos foram porque não obtivemos respostas do presidente sobre como deveríamos nos portar diante da situação. E os prefeitos tinham que decidir. Como disse o presidente, na sua fala, melhor decidir do que pecar pela omissão. E assim nós fizemos”, salientou.

Sobre a saída do então ministro Luiz Henrique Mandetta, disse que, sob o seu comando, os prefeitos tiveram um bom entendimento com a área. “A FNP agradece todo o trabalho do ministro e sua compreensão de que são as cidades que enfrentam a Covid-19, especialmente as capitais e cidades-polo”, afirmou. A expectativa da diretoria da FNP é que o novo ministro, o médico oncologista Nelson Teich, mantenha a abertura para dialogar com as cidades que, conforme Donizette, “estão enfrentando a grande dificuldade tanto na área da saúde como, também, os reflexos na atividade econômica”. 

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Maria Teresa Costa