Publicado 17 de Abril de 2020 - 11h26

Por Daniel de Camargo

Hospital de Campinas vai testar remédio

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Hospital de Campinas vai testar remédio

O Hospital Vera Cruz de Campinas realizará protocolo de pesquisa para uso da nitazoxanida, princípio ativo do vermífugo conhecido comercialmente como Annita, para tratamento de pacientes portadores da Covid-19. O medicamento é apontado como a droga descoberta por cientistas do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) capaz de reduzir em 94% a carga viral da doença após 48 horas, segundo ensaios in vitro com células infectadas.

Na última quarta-feira (15), o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes, sem confirmar o remédio, disse que o fármaco selecionado dentre 2 mil compostos seguirá para testes clínicos em 500 pacientes.

Na manhã desta sexta-feira (17), a Hospital Care, holding administradora de serviços de saúde, que gere o Vera Cruz, informou, em nota, que iniciará os testes com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Sistema CEP-CONEP) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“O objetivo do estudo é avaliar a eficiência da droga, que já possui comprovado efeito antiviral, na diminuição da carga viral de pacientes infectados, ainda no início do tratamento, esperando evitar que eles não agravem seus estados de saúde”, diz trecho da nota.

Os testes já deverão ser realizados, a partir deste final de semana, em pacientes internados na Vera Cruz Casa de Saúde, onde foi montado um centro dedicado de atendimento ao coronavírus. O estudo poderá ainda ser estendido aos demais hospitais do grupo, em Ribeirão Preto, Florianópolis (SC) e Curitiba (PR).

De acordo com a Hospital Care, o estudo será dividido em duas fases, sendo uma primeira de acompanhamento durante os sete dias iniciais do tratamento. E a segunda, com 14 dias de duração, de acompanhamento clínico, totalizando 21 dias. O texto enfatiza que todas as normas da boa pesquisa clínica serão cumpridas, inclusive a autorização livre e esclarecida por parte dos pacientes ou familiares.

A Hospital Care reforça que a administração de nitazoxanida em pacientes com Covid-19 segue rigorosos protocolos médicos e que, em nenhuma hipótese, a droga deve ser utilizada sem acompanhamento médico.

Procura pelo medicamento aumenta nas farmácias

Depois das notícias veiculadas nos últimos dias, Juliana Doro, farmacêutica da unidade Centro da rede Drogal, situada na Avenida Francisco Glicério, comentou que a procura pelo medicamento Annita aumentou significantemente. As ligações, frisa, perguntando sobre a disponibilidade do remédio e seu custo, foram inúmeras.

Contudo, as conversas são encerradas quando os clientes são informados de que essa droga, agora, é controlada. Nesta farmácia, a caixa com seis comprimidos do Annita custa em torno de R$ 66 — preço com desconto. O frasco com 100 mg sai por cerca de R$ 57. O genérico é comercializado entre R$ 42 e R$ 36, respectivamente.

Farmacêutico da Farmaxima Aquidabã, Felipe Lance disse que os únicos dois Annita restantes no estoque foram vendidos na última quarta-feira. De acordo com ele, o cliente comprou o remédio após tomar conhecimento da possibilidade de o medicamento estar sendo testado.

“As coisas são muito rápidas na internet”, contextualizou. Por se tratar de uma loja pequena e do fato que a procura costumava ser mínima, explicou, não havia um grande estoque. Um novo lote deve ser entregue pelo fabricante na próxima semana. Porém, já foi informado pelo fornecedor que o composto já está em falta. “Pode ocorrer o que aconteceu com a cloroquina e as autoridades destinarem os estoques para hospitais”, encerrou.

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Daniel de Camargo