Publicado 17 de Abril de 2020 - 11h11

Por Daniel de Camargo

Governo anunciou, ontem, a distribuição de kits com material impresso para subsidiar os estudantes e os pais

Divulgação/Governo Estadual de São Paulo

Governo anunciou, ontem, a distribuição de kits com material impresso para subsidiar os estudantes e os pais

As 161 escolas estaduais de Campinas permanecerão fechadas por tempo indeterminado, devido à pandemia da Covid-19, período em que cerca de 100 mil alunos da cidade irão realizar atividades em casa. As aulas na rede de São Paulo estão suspensas desde 23 de março, deveriam recomeçar no próximo dia 22, mas foram adiadas para o dia 27. Houve ainda antecipação das férias e recesso escolar. 

O anúncio foi feito ontem, pelo secretário de Estado da Educação, Rossieli Soares, em coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, na Capital, na qual o governador João Doria (PSDB) divulgou novas medidas de combate ao coronavírus. Ao todo, são cerca de 3,5 milhões de alunos matriculados na rede estadual de ensino.

Soares explicou que, de 22 a 24 de abril, professores e todos os servidores das 5,1 mil escolas estaduais receberão formação com orientações sobre a forma de atuação durante o período de aulas suspensas. Para garantir o ensino, o governo paulista lançou, no último 3, o Centro de Mídias da Educação de SP (CMSP), uma plataforma que vai permitir que os estudantes tenham acesso a aulas ao vivo, videoaulas e outros conteúdos pedagógicos. A partir da próxima semana, também estará disponível um segundo aplicativo para download, o CMSP Educação Infantil e Anos Iniciais, com conteúdo exclusivo para essas etapas.

Além da ferramenta que vai viabilizar o ensino presencial mediado por tecnologia, o governo de São Paulo também entrou em acordo com a TV Cultura, que vai transmitir as aulas por meio dos canais digitais 2.2 TVs Univesp e 2.3 Educação.

Internet

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc) vai patrocinar internet para que alunos e professores da rede tenham acesso aos conteúdos via celular, sem qualquer custo. Para isso, firmará contrato com cada uma das quatro maiores operadoras de telefonia: Claro, Vivo, Oi e Tim. Dessa forma, todo estudante da rede poderá desfrutar das atividades do aplicativo sem utilizar o pacote 4G do celular, sinal de internet wi-fi, ou mesmo quando estiver sem créditos.

Soares garantiu também que após a pandemia, haverá uma ampla recuperação para aqueles que, por algum motivo, não puderam acessar a tecnologia ou canal de TV televisão. “Ninguém fica para trás no Estado de São Paulo”, enfatizou.

Ontem, foi anunciado ainda a distribuição de kits com material impresso contendo apostilas de matemática e língua portuguesa, gibis da Turma da Mônica, livros paradidáticos e manual de orientações às famílias e do Centro de Mídias da Educação de São Paulo (CMSP). A entrega ocorrerá a partir do dia 27 de abril. “O material contempla informações aos pais, aos seus filhos e contribui para o estudo a distância", disse o governador de São Paulo.

O coordenador da subsede de Campinas do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Hamed Mauch Bittar garante que muitos estudantes serão prejudicados. Mais de 40% dos jovens da rede estadual de ensino, comenta, não dispõe de acesso a internet ou tem celulares precarizados que não permitirão o Ensino a Distância (EAD).

“Muitos estudantes da periferia de Campinas moram num cômodo com mais oito pessoas”, disse. “Como é possível desenvolver esse trabalho se não há qualidade mínima para isso?”, questionou. Bittar entende que manter os estudantes em casa é necessário. Contudo, analisa que as medidas foram tomadas de forma abrupta pelo Estado e sem as discussões necessárias.

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Daniel de Camargo