Publicado 20 de Abril de 2020 - 22h27

Por AFP

A crise do coronavírus causou uma queda brutal nos preços do petróleo em Nova York nesta segunda-feira (20), uma indicação de que a normalidade será um processo difícil após a pandemia, em um momento em que a Europa vislumbra o fim do confinamento e os Estados Unidos vivem protestos.

Governos de todo o mundo debatem como e quando suspender o confinamento, que mantém mais da metade da humanidade trancada em casa e paralisa a economia global, ameaçada pela recessão.

Apesar de o número global de mortos permanecer alto, com mais de 167.000 óbitos, e ser especialmente elevado nos Estados Unidos - que ultrapassou 42.000 falecimentos -, novos protestos ocorreram contra o confinamento nesta segunda, alguns incentivados pelo presidente Donald Trump.

Trump quer reativar a economia em um ano em que a reeleição está em jogo e o desemprego dispara: desde meados de março, 22 milhões de americanos pediram auxílio-desemprego.

Em um dos maiores protestos, centenas de pessoas - incluindo legisladores e apoiadores de Trump - desafiaram os limites da distanciamento social em um "comício de patriotas" em Harrisburg, Pensilvânia, uma cena que se repetiu em Michigan, Califórnia e Ohio.

"Nossa nova normalidade não significa que sacrificaremos nossas liberdades pela segurança de nosso país", disse o deputado Aaron Bernstine, enquanto as pessoas gritavam "U-S-A!"

A paralisação provocada pela pandemia que atinge a economia mundial tanto na oferta quanto na demanda atingiu nesta segunda-feira os preços do petróleo, causando um colapso histórico que levou contratos com entrega para maio para o território negativo: -37,63 dólares para o WTI.

Isso implica em que investidores e especuladores terão que pagar para encontrar compradores no momento em que as capacidades de armazenamento atingem seu limite nos Estados Unidos, enquanto o FMI prevê uma recessão global em 2020.

Em Genebra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) respondeu às críticas sobre seu gerenciamento da crise, o que levou Trump a anunciar a suspensão do financiamento dos Estados Unidos para a entidade.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu, declarou nesta segunda-feira que não escondeu nada dos Estados Unidos sobre a doença detectada pela primeira vez na China em meados de dezembro.

"Lançamos um alerta desde o primeiro dia", concluiu o médico.

Após semanas difíceis, a Europa começa a vislumbrar o fim do confinamento com aberturas parciais em alguns países, devido a um declínio no número de mortos.

Vários países como França (mais de 20.000 mortos), Espanha (21.000) e Itália (mais de 24.100) registram uma diminuição no número de contaminados e mortos.

O desafio de sair do confinamento é enorme: retomar a atividade econômica e, ao mesmo tempo, conter os riscos das aglomerações para impedir o ressurgimento do vírus.

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