Publicado 20 de Abril de 2020 - 19h07

Por AFP

O México registrou no domingo seu dia mais violento do ano, ao contabilizar 105 assassinatos, em meio à quarentena sugerida pelo governo para combater a disseminação do novo coronavírus, segundo dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (20).

O número excede os 104 casos registrados pela Secretaria de Segurança em 4 de abril.

"Estamos lidando com a questão do coronavírus, mas infelizmente continuamos a ter problemas com homicídios", disse o presidente Andrés Manuel López Obrador nesta segunda à imprensa.

Os dados revelam que o estado do México (centro) registrou o maior número de homicídios intencionais, com 12; Chihuahua (noroeste) com 10, enquanto Cidade do México, Guanajuato (centro) e Oaxaca (sul) registraram 9 cada.

Desde o início do surto da COVID-19 no México, em meados de março, a violência não parou no país, que em 2019 registrou 34.608 assassinatos, um número recorde desde 1997.

O total de 2019 é equivalente a uma média de quase 95 homicídios intencionais por dia no México, país afetado por uma onda de crescente violência desde o final de 2006, quando a luta contra o narcotráfico foi militarizada.

Desde então, quase 275.000 pessoas foram mortas no país, segundo dados oficiais que não detalham quantos desses casos estariam relacionados ao crime organizado.

López Obrador, que assumiu a presidência em dezembro de 2018, afirma que a violência será menor se a pobreza, a exclusão e a falta de oportunidades forem combatidas, e o uso da força contra os criminosos for reduzido.

"Assim que passarmos por essa situação difícil (a pandemia), daremos a eles (os criminosos) opções, alternativas para que possam voltar à vida pública e serem boas pessoas", disse o presidente.

O Congresso mexicano discute nesta segunda-feira uma lei de anistia enviada por López Obrador, que propõe perdoar, entre outros, pequenos traficantes de droga.

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