Publicado 20 de Abril de 2020 - 17h57

Por AFP

A queda dos preços do petróleo atingiu níveis históricos na segunda-feira: investidores e especuladores pagam para encontrar compradores no momento em que as capacidades de armazenamento atingem seu limite nos Estados Unidos.

Em um mercado saturado, os detentores de contratos para maio - que expiram no fechamento desta terça-feira - devem encontrar compradores de óleo físico o mais rápido possível. Entretanto, como as reservas estão quase no limite nos Estados Unidos, elas devem corroer os preços.

O preço barril de petróleo WTI, que estava sendo negociado a US$ 60 por unidade no início deste ano e a US$ 18,27 na tarde de sexta-feira, despencou nesta segunda-feira, fechando em -37,63 dólares.

Isso significa que muitos pagam para se livrar desse petróleo bruto, caro demais para ser armazenado. "E pagaram caro", avalia Louise Dickson, especialista em mercado de petróleo da Rystad Energy.

O petróleo nunca caiu abaixo de US$ 10 desde que esses contratos futuros foram criados em 1983.

A situação pode melhorar nos próximos dias, segundo alguns analistas. "É um pouco enganoso focar no contrato de maio", explicou Matt Smith, especialista da ClipperData.

"Há muito mais movimento nos barris para entrega em junho", disse ele sobre o contrato, que, ainda em declínio, mantém os preços acima de US$ 20.

O barril de Brent do Mar do Norte, em Londres, foi menos afetado, com uma queda de 9%, a US$ 25,57 no final desta segunda-feira.

As restrições de mobilidade para combater o coronavírus em grande parte do mundo e a paralisia econômica afundaram o consumo de combustível. Os investidores esperam que a situação piore.

Além disso, a oferta de petróleo é abundante após uma guerra de preços entre o líder da Opep, Arábia Saudita e Rússia, que não chegou a um acordo de redução de produção no início de março.

A disputa terminou no início de abril ao concordar com uma redução de 10 milhões de barris por dia para tentar sustentar os preços nos mercados afetados pelo coronavírus.

Os preços, contudo, continuaram a cair quando ficou claro que esse corte não seria suficiente para compensar a queda na demanda.

Nesse contexto de mercado "extremamente desequilibrado" entre excesso de oferta e demanda em queda, os investidores "correm para se desfazer" de suas compras de petróleo, disse Craig Erlam, da Oanda.

Os Estados Unidos "têm os maiores problemas de armazenamento", disse Jasper Lawler, do London Capital Group.

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