Publicado 20 de Abril de 2020 - 9h07

Por AFP

Considerando o coronavírus "sob controle", a Alemanha inicia seu desconfinamento nesta segunda-feira (20), uma lenta e delicada operação em uma Europa confinada há semanas, fortemente atingida pela pandemia, mas que deseja relançar o quanto antes sua economia.

Até o momento, o continente europeu pagou o preço mais alto pela doença, respondendo por quase dois terços das 164.000 mortes em todo mundo.

A Itália é o país mais afetado (23.660 mortes), seguido de Espanha (20.453), França (19.718) e Reino Unido (16.060), de acordo com um último balanço da epidemia estabelecido com base em fontes oficiais.

Com 135.000 casos identificados e cerca de 4.000 mortes, a pandemia está "sob controle e manejável" na Alemanha, julgaram as autoridades, que autorizaram a reabertura nesta segunda-feira de lojas com área inferior a 800 metros quadrados.

Mercados, livrarias, oficinas mecânicas, lojas de roupas e outros poderão receber clientes. O federalismo faz a medida ser aplicada de maneira significativamente diferente nas 16 regiões estaduais do país, e muitos estabelecimentos comerciais ainda permanecerão fechados na capital Berlim.

Na cidade de Leipzig, Manuel Fischer, dono de uma boutique de moda, disse estar "incrivelmente feliz" por reabrir seu negócio, enquanto carrega seus manequins para o terraço sob o sol da primavera.

Já locais culturais, bares, restaurantes, playgrounds, ou áreas esportivas, permanecerão fechados. Grandes aglomerações, como shows, ou competições esportivas, continuam proibidas até pelo menos 31 de agosto.

As escolas retomarão gradualmente suas atividades a partir de 4 de maio.

Continuam proibidos encontros com mais de duas pessoas, uma distância mínima de 1,5 metro deve ser observada em locais públicos, e o uso de máscara é "altamente recomendado".

A situação permanece "frágil", alertou a chanceler Angela Merkel.

Nesta segunda-feira, ela também não escondeu sua irritação com as "orgias de discussões" no país sobre um possível desconfinamento total, e o crescente desrespeito, segundo ela, das regras de distanciamento social.

Essa estratégia para sair da crise, implementada pela Alemanha, o motor econômico do Velho Continente, é observada com atenção por uma Europa que vive confinada há quase um mês.

O desafio é enorme: relançar progressivamente a atividade, contendo a impaciência de populações confinadas, até os riscos de explosão social, evitando um possível ressurgimento do vírus e preservando os sistemas de saúde saturados.

Sinal da emergência econômica, o Banco da Espanha prevê para 2020 uma queda vertiginosa por causa da pandemia, "sem precedentes na história recente": de 6,6% a 13,6% do PIB da quarta economia da zona do euro.

A vizinha Áustria permitiu na última terça-feira a reabertura de pequenos comércios e de jardins públicos. A Noruega começou a reabrir suas creches na segunda-feira, o primeiro passo na suspensão lenta e gradual das restrições decretadas em meados de março.

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