Publicado 19 de Abril de 2020 - 10h47

Por AFP

Na Rocinha, a maior favela do Brasil, uma ONG oferece à população testes gratuitos para detectar o novo coronavírus em uma tentativa de ampliar a medição da propagação da doença nesta comunidade pobre e densamente povoada do Rio de Janeiro.

"O governo só vai testar quem está realmente muito mal. Se você testa só quem está muito mal, você não consegue monitorar o vírus, não consegue criar estratégias realmente efetivas" para conter o avanço da COVID-19, explica Pedro Berto, criador do projeto "Favela sem corona".

Ex-morador da Rocinha, este estudante de administração de 29 anos captou recursos pela internet para comprar centenas de testes sorológicos e rápidos, colocando-os à disposição da comunidade.

Para ser testado, o morador só precisa ir até uma clínica particular da favela e fazer um exame de sangue. O resultado sai em 24 horas.

Em caso de resultado positivo para a COVID-19, se o paciente tiver sintomas leves, faz quarentena domiciliar. Mas se apresentar sintomas mais acentuados, é orientado a ir para um centro de saúde.

"Tem bastante risco de expansão na comunidade porque dos testes que a gente tem feito aqui, de 40 a 50 por cento estão dando positivo", explica Tiago Vieira Koch, diretor da clínica.

Com ruas estreitas, residências precárias, próximas umas das outras e geralmente com não mais de dois cômodos, para as famílias que vivem na Rocinha, a quarentena e o distanciamento social são desafios.

O balanço oficial mais recente registrou 36 casos confirmados e três mortos nesta comunidade com mais de 100.000 habitantes.

A quarentena traz um problema adicional para muitos moradores da comunidade, que dependem da economia informal para se sustentar. Ficando em casa e sem clientes nas ruas, muitas pessoas viram sua renda minguar dramaticamente.

Alvir Nelson Rosa Junior, de 39 anos, decidiu fazer o exame gratuito na Rocinha após apresentar alguns sintomas.

"Senti o corpo suado, (mas) não tive febre. Tive um pouco de falta de ar, muito cansaço e também sou hipertenso, então queria cuidar da minha saúde", contou ele, cobrindo o rosto com máscara de tecido azul com estampa de caveiras.

Ao contrário, Janice Infante de Oliveira não tinha sintomas, mas quis descartar o contágio depois que seu marido testou positivo.

"Eu fiz o swab, o swab foi inconclusivo e eu resolvei fazer esse teste. Eu sou profissional de saúde e não posso voltar a trabalhar sem ter certeza de que estou bem", explicou.

Além da Rocinha, o projeto "Favela sem corona" prevê o envio de testes para outras comunidades carentes do Rio de Janeiro.

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