Publicado 19 de Abril de 2020 - 10h08

Por AFP

O laboratório chinês apontado como possível fonte do novo coronavírus afirmou que isto é "impossível" e descartou qualquer responsabilidade após as dúvidas mencionadas por países ocidentais, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensifica as advertências contra a China pela pandemia de COVID-19, que provocou mais de 160.000 mortes no mundo.

Horas antes da divulgação do balanço atualizado de vítimas da pandemia, celebridades e estrelas da música de todo o mundo participaram em um megaconcerto transmitido pela internet para aliviar o confinamento que afeta 4,5 bilhões de pessoas, mais da metade da população mundial.

Estrelas como os Rolling Stones, Taylor Swift, Annie Lennox, Elton John, Jennifer López, Celine Dion, Paul McCartney, Stevie Wonder e Billie Eilish cantaram diretamente de suas casas para os fãs.

Antes do início do evento de duas horas, que recebeu o nome "One World: Together At Home" ("Um Mundo: Juntos em Casa"), Lady Gaga, que fez a curadoria e teve o poio da ONG internacional Global Citizen em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou que estava rezando pelos profissionais da saúde e também "pensando em todos que estão em suas casas, pensando sobre quando acabará tudo isto".

Ao mesmo tempo, Estados Unidos e China, envolvidos em uma disputa geopolítica global, protagonizavam um novo capítulo do confronto sobre a pandemia.

O diretor do laboratório de segurança máxima da cidade chinesa de Wuhan, acusado por parte da imprensa americana de ser a fonte do novo coronavírus, negou categoricamente as acusações.

"É impossível que este vírus venha de nós", afirmou em uma entrevista à imprensa estatal Yuan Zhiming.

Situado entre as colinas que cercam a cidade de Wuhan, onde surgiu o novo coronavírus, este laboratório de biotecnologia chinês se tornou o centro de uma controvérsia mundial.

Cientistas chineses afirmam que o vírus provavelmente foi transmitido de um animal para os humanos em um mercado que vendia animais vivos em Wuhan. Mas a existência do laboratório alimenta as especulações de que o vírus saiu deste local.

De acordo com o jornal Washington Post, a embaixada dos Estados Unidos em Pequim, após várias visitas de funcionários ao instituto, alertou o governo americano em 2018 sobre as medidas de segurança aparentemente insuficientes em um laboratório que estudava os coronavírus procedentes de morcegos.

Horas antes do desmentido, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar a China e advertiu que o país poderia enfrentar "consequências se foi intencionalmente responsável" pela propagação do vírus, detectado em dezembro em Wuhan.

Neste domingo, a Austrália pediu uma investigação independente da resposta mundial à pandemia de COVID-19, incluindo a gestão da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a crise.

A ministra australiana das Relações Exteriores, Marise Payne, disse que seu país insistirá em uma investigação que envolva a resposta da China ao surto de COVID-19.

"Precisamos que uma investigação independente identifique tudo o que precisamos saber sobre a gênese do vírus, os enfoques de sua gestão e que estabeleça a transparência com qual as informações foram compartilhadas", afirmou.

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