Publicado 18 de Abril de 2020 - 16h58

Por AFP

Idosos abandonados sem ninguém para cuidar de sua alimentação, higiene ou fornecer remédio, um proprietário com um passado criminoso e 31 mortos em poucas semanas: as revelações que surgem de um asilo perto de Montreal, dizimado pelo novo coronavírus, deixaram o Canadá em estado de choque.

A residência Herron, no subúrbio de Dorval, tornou-se o símbolo doloroso da catástrofe que atinge as casas de repouso no país.

No Canadá, como em vários países europeus, metade das mortes relacionadas à COVID-19 correspondem a óbitos nesse tipo de estabelecimento.

"Horrível", disse o primeiro-ministro de Quebec, François Legault, sobre o caso, que ele chamou de "negligência grave", e ordenou várias investigações, inclusive da polícia criminal, depois que os detalhes do que ocorreu foram revelados em uma investigação publicada pelo jornal Montreal Gazette.

Segundo o jornal, os funcionários das entidades governamentais de saúde que participaram do resgate encontraram uma cena de desolação no local: pacientes que não recebiam comida há dias, fraldas transbordavam excrementos e pacientes que tropeçavam no chão. Além disso, encontraram dois idosos mortos em suas camas.

Muitos funcionários do estabelecimento deixaram de trabalhar por medo de contrair a COVID-19.

"Isso realmente me deixou nauseado", disse Moira Davis, filha de Stanley Pinnell, uma das vítimas fatais em Herron, em 8 de abril.

"De repente, muitas perguntas passaram pela minha cabeça: o que poderíamos ter feito de diferente? Por que ninguém nos contou nada? Por quê?", Lamentou Davis.

Pelo menos cinco das 31 mortes neste centro são atribuídas diretamente ao vírus, e o restante está em análise.

Segundo Davis, o caso desta residência está longe de ser encerrado.

"Os holofotes ao redor do mundo estão apontando para Herron, o exemplo perfeito do que há de errado com os cuidados de saúde para idosos", declarou.

"Me assusta, me aterroriza, porque tenho 60 anos e um dia eu posso acabar em uma dessas residências", acrescentou com lágrimas nos olhos.

Uma ação coletiva por "tratamento desumano e degradante" em nome dos 130 residentes do centro foi levada à justiça, com um pedido de indenização de cerca de 3,6 milhões de dólares.

O jornal La Presse, com sede em Montreal, revelou que o presidente do grupo proprietário da Herron, Samir Chowiera, cumpriu pena de prisão por tráfico de drogas e fraude.

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