Publicado 18 de Abril de 2020 - 15h27

Por AFP

O governo iraniano permitiu a reabertura de alguns comércios do Teerã, o que fez os vendedores a ter que escolher entre abrir suas lojas e se arriscar a adoecer pelo novo coronavírus, ou continuar confinados e falir.

O Executivo alegou que a economia iraniana, minada por sanções, não suportará o confinamento, aprovando medidas semelhantes em outras províncias na semana passada.

E embora alguns cidadãos de Teerã tenham admitido ainda estar preocupados com a epidemia, defenderam que tinham que voltar ao trabalho porque seu sustento depende disso.

"Ainda não acho seguro", disse Reza Jafari, vendedor de uma loja de bolsas por atacado na capital.

"Mas eu tive que voltar ao trabalho por razões financeiras. Se eu tivesse uma escolha, não teria feito isso, mas se a loja ainda estivesse fechada por mais tempo, teríamos ficado na rua", disse ele.

Por telefone, Jafari explicou que os vendedores de outras províncias vieram à loja no sábado para renovar seus estoques e que nem eles nem a maioria dos clientes usavam máscaras ou luvas.

Nas proximidades, no Grande Bazar, muitos vendedores estavam sentados nos degraus de suas barracas fechadas, porque até 1º de maio não podiam abrir.

Eles reclamaram do que consideram uma injustiça, porque as lojas do lado de fora do bazar podem funcionar e as deles não.

"Como vou ficar em casa? Minha família está com fome", disse Hamdollah Mahmoudi, de 45 anos, vendedor.

"Você enlouquece sem trabalhar", acrescentou.

Devido à pandemia da COVID-19, que no país já matou mais de 5.000 pessoas e registrou mais de 80.000 casos, segundo dados oficiais, o Irã fechou todas as lojas e empresas não essenciais em meados de março.

Segundo alguns especialistas do exterior, mas também iranianos, o balanço poderia ser maior do que o divulgado pelas autoridades.

No entanto, após várias semanas de confinamento, o governo garante que o vírus possa ser combatido ao mesmo tempo que a atividade econômica seja retomada, desde que sejam respeitadas as medidas de "distanciamento social inteligente".

As lojas que desejam reabrir precisam notificar pela internet o Ministério da Saúde, que envia regras gerais para garantir a segurança e examina as solicitações.

No entanto, Jafari, o vendedor de bolsas, não parecia convencido de que as autoridades sejam capazes de fazer cumprir os regulamentos sanitários.

Segundo ele, os vendedores colocam a máscara enquanto dura a inspeção e, assim que os funcionários saem da porta da loja, eles a tiram.

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