Publicado 18 de Abril de 2020 - 15h18

Por AFP

A mente em plena forma: sem poder saltar de uma plataforma de 10 metros, disputar uma partida de badminton ou agarrar o kimono de um adversário, se concentrar em imaginar gestos técnicos cotidianos se tornou um recurso precioso para os atletas de alto rendimento confinados.

Como, apesar do confinamento que se alonga semanas após semanas e impossibilita a prática do esporte, os atletas podem fazer com que seus gestos técnicos não fiquem enferrujados?

Praticando "o esporte dentro da cabeça", ou seja, reproduzindo os gestos "com o pensamento", resume Claire Calmels, pesquisadora em neurociência cognitiva no INSEP, o Instituto do Esporte francês.

Já foi provado que imaginar um movimento (como observá-lo ou verbalizá-lo) e executar este movimento ativam um certo número de zonas comuns do cérebro", explica.

"Trata-se de visualizar na cabeça os pontos-chave de um salto, ou um salto inteiro. Você se dá conta que, no momento em que imagina o salto, consegue perceber as sensações que se tem no ar", explica à AFP o francês Benjamin Auffret, campeão europeu de 2017 na categoria 10 m de saltos ornamentais. "Músculos podem até se contrair", reforça Calmels.

"A ideia é lembrar ao corpo as sensações que ele conhece. Tentamos mantê-las flutuando, evitar que caiam nas profundezas, para que no dia que possamos saltar de verdade lembrarmos como se sente. Assim, conseguimos recuperar o ritmo muito mais rapidamente", continua Auffret, que não pratica saltos ornamentais desde 25 de fevereiro.

Esta prática, usada principalmente por atletas lesionados, se tornou uma aliada para atletas de alto rendimento neste período de confinamento.

Para Auffret, de 25 anos, recorrer à simulação motriz é "primordial". "Eu nunca vi um saltador passar tanto tempo longe das piscinas", garante o francês, quarto colocado nos jogos Olímpicos do Rio-2016.

Auffret revela que costuma praticar mentalmente à noite, com os olhos fechados, antes de dormir.

"Para que a visualização se transfira para uma situação esportiva, é absolutamente necessário se aproximar o máximo possível das condições reais da prática", explica Claire Calmels.

"Para o badminton, em pé com a raquete na mão, para os judocas, descalço sobre um tatame...", exemplifica.

É isso que faz Anne Tran, de 23 anos, membro da equipe da França de badminton, que já fez duas sessões de visualização no confinamento.

Escrito por:

AFP