Publicado 18 de Abril de 2020 - 14h57

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu a rebelião contra o confinamento, apesar de seu país ter virado o principal foco do coronavírus, com quase 25% das mais de 154.000 mortes provocadas pela doença até este sábado no mundo.

Enquanto 4,5 bilhões de pessoas, mais da metade da população mundial, estão confinadas em suas casas, nos Estados Unidos manifestantes pretendem desafiar as autoridades em estados governados por democratas e que adotaram medidas de isolamento.

"Libertem Minnesota!", "Libertem Michigan!", "Libertem a Viginia!", tuitou Trump, estimulando as pessoas a não cumprir o confinamento.

Trump também tem insistido nos ataques à China, que acusa de "ocultar" a gravidade da pandemia.

O presidente francês Emmanuel Macron e o chefe da diplomacia britânica, Dominic Raab, também questionaram a transparência de Pequim.

Praticamente não há país ou território no planeta que não tenha sido afetado pelo coronavírus, que já infectou mais de 2.250.000 pessoas, com mais de 154.000 óbitos, desde que foi detectado na China no fim de 2019.

A Europa registra metade dos contágios (1,11 milhão de casos confirmados) e quase dois terços dos falecidos (98.000), de acordo com o balanço da AFP atualizado na manhã deste sábado. A Itália registra quase 23.000 mortes, a Espanha mais de 20.000, a França mais de 19.000 e o Reino Unido mais de 15.000.

Mas o território dos Estados Unidos é o mais afetado pelo vírus, com mais de 706.000 contágios e 37.079 mortos. Na América Latina o número de vítimas fatais supera 4.000 e a África registra mais de 1.000.

Ao defender a pressão pelo fim do confinamento, Trump chegou a mencionar o direito dos americanos de portar armas.

Os grupos que estimulam os protestos denunciam o que consideram uma interferência excessiva dos governadores, que ordenaram a interrupção temporária da venda de armas e munições nestes estados.

O governador democrata do estado de Washington, Jay Inslee, afirmou no Twitter que Trump "coloca milhões de pessoas em risco de infecção da COVID-19. Seus ataques desequilibrados e seus apelos para "libertar" os estados também podem levar à violência".

Sem considerar a pressão de Trump, vários governos enfrentam o dilema de quando e como acabar com o confinamento.

Após semanas devastadoras, os sinais de desaceleração da epidemia na Europa, apesar do aumento diário ainda expressivo do número de mortos, levaram alguns países a pensar em como suspender o confinamento.

"A igreja do cemitério de Bérgamo vazia. Finalmente", escreveu neste sábado no Twitter o prefeito da cidade italiana, ao publicar uma foto do interior do templo sem os vários caixões que o local teve que receber por várias semanas.

Os colégios abrirão as portas de maneira progressiva a partir de 11 de maio na França e Suíça, de 4 de maio na Alemanha, de 27 de abril na Noruega e já retomaram algumas atividades na Dinamarca.

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