Publicado 18 de Abril de 2020 - 13h57

Por AFP

A balança dará o veredito: jogadores de futebol e outros atletas de alto rendimento temem os efeitos que as semanas de confinamento por causa da pandemia do coronavírus possam ter na hora de perder peso para recuperar a forma física.

Na história do futebol, muitos lembram da imagem de alguns jogadores em campo claramente acima do peso, como Diego Maradona, Antonio Cassano, Adriano ou Ronaldo.

Os quilos a mais costumam ser um problema para alguns atletas depois das férias e, desta vez, a causa não será um excesso de caipirinhas durante as noitadas, mas sim as delícias da cozinha caseira e a tentação de ter uma geladeira sempre por perto, além da redução na atividade física.

"Eu sigo o programa de exercícios que o clube nos enviou, mas não é o mesmo que um treino coletivo. Tenho que ter cuidado para não engordar. Minha esposa gosta de cozinhar e eu gosto de comer, é uma combinação perigosa. Temos muitos biscoitos em casa para as crianças e sempre como cada vez que tomo um chá", admite o meia galês da Juventus Aaron Ramsey.

Com a degradação dos treinos e a manutenção do aporte calórico, os atletas correm o risco de perder massa muscular e aumentar o percentual de gordura, algo contra o qual combate Xavier Frezza, preparador físico que trabalha com jogadores profissionais.

"Os atletas fazem muitas atividades físicas, então têm uma alimentação bastante rica, ligada a sua disciplina. Se a atividade for mais leve, como acontece agora, e mantiverem o mesmo regime alimentar, caem em uma armadilha. Eles podem ganhar rapidamente um pouco de peso, combinado a uma falta de forma física", explica o especialista.

A ameaça é especialmente séria para os atletas com planos nutricionais preparados para treinos intensos, como ocorre por exemplo com os nadadores.

"Meu grande problema é a comida, porque sou um glutão", explicava o nadador francês Florent Manadou à AFP no início do confinamento, que na França começou em março. "Quero me manter em forma, porque sei que a volta à água será difícil", continuou o campeão olímpico dos 50 m nos Jogos de Londres-2012.

Por outro lado, muitos atletas têm o hábito de cuidar do peso, seja para manter o rendimento ou para entrar dentro de parâmetros em esportes em que a estética importa. Ou até para terem a autorização para competir em categorias divididas por pesos, explica Eve Tiollier, nutricionista no INSEP, o Instituto Nacional do Esporte francês.

"Por enquanto, estão lidando bem com isso e o indicador que temos -o peso- se mantém relativamente estável. Há um programa de treinamento e não vejo sinais de que a ansiedade ou o tédio ligados à situação tenham um grande impacto em seu comprometimento", completa.

"Veremos depois como estamos de verdade no momento em que for possível sair" depois do confinamento, continua Tiollier. O mais importante não será tanto o peso, mas sim as proporções de massa muscular e gordura corporal, que podem ficar desequilibradas sem que o número que aparece na balança se modifique muito.

Para Jean-Jacques Menuet, médico da equipe de ciclismo Arkea-Samsic, os atletas devem conservar "um peso que será compatível com o reinício das corridas".

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