Publicado 18 de Abril de 2020 - 12h57

Por AFP

A polícia de Hong Kong anunciou uma grande operação neste sábado contra líderes do movimento pró-democracia, com 15 pessoas detidas pelas grandes manifestações organizadas em 2019 no centro financeiro asiático.

Entre os detidos está o empresário Jimmy Lai, fundador do jornal de oposição Apple Daily, preso em sua residência.

Os parlamentares Martin Lee, Margaret Ng, Albert Ho, Leung Kwok-hung e Au Nok-hin, acusados de organizar manifestações ilegais em agosto e outubro, também foram detidos.

Os 15 devem comparecer à justiça em maio, anunciou o comissário Lam Wing-ho.

"Os detidos foram indiciados ou serão indiciados em breve", explicou o comandante policial.

Hong Kong foi cenário durante vários meses de 2019 de grandes mobilizações, que em alguns casos terminaram em violência, com vários confrontos com as forças de segurança.

As manifestações foram provocadas inicialmente por um projeto de lei - depois abandonado - que pretendia autorizar as extradições para a China continental, onde os cidadãos dispõem de menos direitos e o sistema judicial é menos transparente.

As manifestações no território semiautônomo rapidamente se transformaram em um movimento pró-democracia com pedidos de mais liberdades. Isto significou um desafio aberto ao poder de Pequim desde que a ex-colônia britânica foi devolvida à soberania chinesa em 1997.

As manifestações e os confrontos com a polícia diminuíram progressivamente, devido em parte ao cansaço e às detenções, mas também pelo surgimento da pandemia de coronavírus.

O governo chinês se recusou a ceder às demandas dos ativistas, que incluíam a organização de eleições livres no território e uma anistia para as mais de 7.000 pessoas detidas durante o movimento.

O empresário dos meios de comunicação Mai já havia sido detido em fevereiro, acusado de participação em uma manifestação em agosto do ano passado que foi declarada ilegal.

"Por fim sou acusado. Como me sinto? Muito aliviado", declarou o parlamentar Lee após ser notificado das acusações.

Apontado como o líder do movimento democrático no território, Lee, um advogado de 81 anos, fundador do principal partido da cidade, declarou: "Durante muitos anos, muitos meses, muitos jovens corajosos foram detidos e acusados, enquanto eu não era. Lamento".

As declarações foram criticadas pelo chefe de polícia do território, Chris Tang.

"Embora seja um veterano do Direito, ele continua incitando os jovens a violar a lei. Não penso que deveria sentir orgulho, deveria sentir vergonha", disse.

O governo local, partidário de Pequim, "tenta com todas as forças impor um reino de terror", advertiu a parlamentar pró-democracia Claudia Mo.

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