Publicado 18 de Abril de 2020 - 12h47

Por AFP

As competições esportivas não param na Nicarágua: jogos de futebol profissional, partidas de basebol, corridas de ciclismo ou lutas de boxe acontecem todos os dias como se a pandemia do coronavírus não existisse.

Alguns atletas participam de eventos convencidos de que a Nicarágua, um do países mais pobres do hemisfério, tem a pandemia "sob controle", como cerca de dez casos reportados pelas autoridades; outros por amor ao esporte ou por medo de perder seus contratos.

"Acho que corremos risco pelas circunstâncias do que está acontecendo no mundo todo", mas "há um contrato de trabalho que é preciso ser respeitado", afirma à AFP José Martínez, jogador de futebol do clube Las Sabanas, da primeira divisão nicaraguense, após uma partida disputada em Manágua.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, garantiu na quarta-feira passada, em sua primeira aparição pública após um mês de ausência, que o avanço da pandemia no país é "lento" e se recusou a decretar quarentena, fechar as fronteiras ou exigir o distanciamento social, medidas adotadas por grande parte dos países do mundo.

E o esporte também não para. Nesta semana, serão disputadas corridas de ciclismo e lutas de boxe em campos abertos, parques ou ginásios espaçosos para evitar a contaminação e propagação do vírus.

Também será reiniciado o campeonato nacional de basebol, o esporte mais popular do país, após a Comissão Nicaraguense de Basebol ameaçar a todos os atletas que se negarem a jogar por temos ao vírus.

A polêmica também alcança a liga de futebol, a única que se mantém ativa na América Latina em meio à pandemia, após a Federação Nicaraguense de Futebol (Fenifut) aprovar continuar seu campeonato devido à ausência de restrições oficiais.

Na Nicarágua "não temos nenhum alerta ou quarentena. O Minsa (Ministério de Saúde) diz que tudo está sob controle", comenta à AFP o secretário-geral da Fenifut, José Bermúdez.

Dirigentes de futebol do país cogitaram até tentar transmitir seus jogos na Europa, onde os torneios foram todos suspensos pela pandemia, que já causou milhares de mortes no continente.

A Confederação de futebol das Américas do Norte, Central e do Caribe (Concacaf) também congelou o calendário até junho, mas respeitou a decisão da liga da Nicarágua de jogar "enquanto a situação o permitir", segundo Bermúdez.

Com a garantia de que está tudo bem, os jogadores do Managua FC entraram animados em campo para enfrentar o Jalapa com portões fechados, medida para evitar a aglomeração de torcedores nas arquibancadas.

Na Nicarágua, "a situação está controlada" e se joga "tomando as precauções necessárias no momento de ir ao estádio", afirma um dos artilheiros do torneio, o atacante mexicano Carlos Félix, do Managua FC.

Já o atacante espanhol Pablo Gallego, que chegou há dois anos vindo da Grécia, garante que nenhum jogador nicaraguense apresentou os sintomas do vírus.

Os atletas lavam as mãos antes do jogo, usam álcool em gel durante o intervalo e evitam saudar com as mãos os árbitros e os adversários.

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