Publicado 18 de Abril de 2020 - 11h47

Por AFP

"Tive sorte", afirma Martina Hamacher, 60 anos, que acaba de passar a primeira noite sem o auxílio de um respirador artificial após várias semanas internada, três delas na UTI.

Ela ainda precisa dos tubos e cabos que lhe permitiram escapar da morte. Está entre os primeiros casos de COVID-19 na Alemanha e do foco inicial que surgiu em fevereiro na região de Heinsberg, oeste do país.

O hospital universitário de Aachen se adaptou rapidamente para a chegada dos pacientes, assim como o conjunto do sistema de saúde alemão.

Hoje, pelo menos 11.000 leitos de UTI continuam livres, enquanto outros países, como França e Itália, registram problemas.

A Alemanha virou um modelo para a Europa por sua maneira de tratar a pandemia, com uma taxa de mortalidade de 2,9%.

Em Aachen, a UTI da imensa clínica não está saturada e nunca se aproximou da sobrecarga.

Em um corredor da Unidade de Terapia Intensiva, com 17 leitos, homens e mulheres estão adormecidos, incapazes de sobreviver por conta própria. Em muitos casos, o coronavírus afetou os pulmões, mas também outros órgãos.

A equipe médica, em meio aos bipes incessantes das máquinas, trabalha em corpos conectados a cabos. Para fazer isso, os profissionais precisam se proteger com máscaras, luvas e trajes especiais.

"Faz parte do nosso dever, somos necessários e respondemos presente", afirma Kathi, uma enfermeira.

"É importante que a UTI não esteja associada apenas à morte e às máquinas", declara Gernot Marx, diretor do departamento.

"Devolvemos à vida a maioria dos pacientes graças ao número de máquinas, mas também graças às pessoas que trabalham e se dedicam", completa.

"Sem o envolvimento dos profissionais da saúde, não acredito que ainda estaria aqui", afirma Hamacher.

"Começou lentamente", com alguns pacientes, recorda Marx. "Percebemos que deveríamos aproveitar o tempo para nos prepararmos, porque as imagens que vinham de Bérgamo (na Itália) nos assustaram", completa.

Em poucos dias, o número de leitos na UTI passou de 96 a 136. Outros 70 podem ser mobilizados rapidamente.

O hospital tem no momento 51 pacientes infectados, 35 deles na UTI.

Martina Hamacher recorda que tudo começou como "uma gripe, com um pouco de febre". Mas rapidamente a situação se tornou grave.

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