Publicado 18 de Abril de 2020 - 10h07

Por AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pregou a rebelião contra o confinamento, apesar de seu país ter virado o principal foco do coronavírus, com quase 25% das mais de 154.000 mortes registradas no mundo.

E uma semana depois dos católicos e protestantes, o mundo ortodoxo celebra o fim de semana da Páscoa em confinamento. Isto porque o distanciamento social conseguiu conter a acelerada propagação da pandemia com 4,5 bilhões de pessoas, ou seja mais da metade da população mundial, confinadas em suas casas.

Nos Estados Unidos, no entanto, o principal instigador pelo fim do confinamento é o próprio presidente. "Libertem Minnesota!", "Libertem Michigan!", tuitou Trump, ao mesmo tempo que manifestantes, alguns deles armados, pretendem desafiar neste sábado as autoridades nos dois estados governados por democratas.

Enquanto o mundo supera 154.000 mortes na pandemia, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê a recessão mais grave desde a Grande Depressão de 1929, os governos enfrentam o dilema sobre quando e como acabar com o confinamento, em uma tentativa de buscar o equilíbrio entre reduzir os danos sobre a economia e salvar vidas.

Praticamente não há país ou território no planeta que não tenha sido afetado pelo coronavírus, que já infectou mais de 2.250.000 pessoas, com mais de 154.000 óbitos. A Europa registra metade dos contágios (1,11 milhão de casos confirmados) e quase dois terços dos falecidos (98.000), de acordo com o balanço da AFP na manhã deste sábado.

A Itália registra quase 23.000 mortes, a Espanha mais de 20.000, a França quase 19.000 e o Reino Unido se aproxima de 15.000.

Na América Latina o número de vítimas fatais supera 4.000 e a África registra mais de 1.000.

O território dos Estados Unidos é o mais afetado pelo vírus, que foi detectado pela primeira vez na cidade de Wuhan no fim de 2019. Até o momento registra mais de 706.000 contágios e 37.079 mortos.

Sem uma rede de proteção social, milhões de americanos recorrem aos bancos de alimentos, cujos funcionários estão saturados pela explosão da demanda.

"Nossos funcionários não conseguem mais", afirmou Dan Flowers, gerente de um banco de alimentos de Ohio. "Eles estão sobrecarregados. Gostaríamos de ver o fim", completou.

Neste contexto, o governador democrata do estado de Washington, Jay Inslee, expressou indignação com os tuítes do presidente que estimulam, segundo ele, "atos perigosos e ilegais".

"Coloca milhões de pessoas em risco de infecção da COVID-19. Seus ataques desequilibrados e seus apelos para "libertar os estados também podem levar à violência ", escreveu no Twitter.

Um estudo da Universidade de Stanford, em Santa Clara, na Califórnia, mostrou que entre 2,5% e 4,1% da população local estava infectada pelo coronavírus, entre 50 e 85 vezes acima do número de casos oficialmente confirmados.

Longe da maior potência mundial, na África do Sul, o confinamento provocou uma "guerra" para conseguir alimentos.

"Senhor presidente, estamos atravessando uma crise alimentar. Aqui há uma guerra", adverte Joani Fredericks, uma ativista sul-africana, preocupada porque o confinamento em seu país gerou confrontos com a polícia e saques nos bairros mais carentes, uma consequência da fome.

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