Publicado 17 de Abril de 2020 - 21h07

Por AFP

Um juiz brasileiro proibiu missionários evangélicos de contatar indígenas isolados na região amazônica em meio à pandemia de COVID-19, informou a ONG Survival International nesta sexta-feira(17).

"Em uma decisão histórica, o juiz Fabiano Verli (primeira instância) impede missionários evangélicos de fazer contato com povos indígenas no Vale do Javari, lar da maior concentração de indígenas isolados do planeta", afirmou a organização em comunicado.

Vários grupos indígenas isolados vivem no vale do Javari, na Amazônia brasileira e perto da fronteira com o Peru.

A organização indígena Univaja fez o pedido à Justiça por temer que os missionários evangélicos, que reiteraram seu desejo de entrar na região, possam contagiar essas populações com o novo coronavírus.

"Foi a melhor decisão possível", disse Eliesio Marubo, advogado da Univaja, citado pela Survival International. Em um comunicado anterior, a organização alertou que "se essa doença [coronavírus] chegar às nossas aldeias, o cenário poderá ser um genocídio".

A decisão do juiz Verli menciona, entre outros, o grupo evangélico americano Ethnos 360 (anteriormente conhecido como Missão Novas Tribos), que lançou recentemente uma campanha para comprar um helicóptero para facilitar o acesso a tribos da Amazônia brasileira.

O Brasil já registrou a morte de três indígenas e 23 infectados pelo coronavírus em áreas rurais.

Verli afirma que apoiou sua decisão na "vulnerabilidade especial de povos indígenas isolados" e garantiu que "contatá-los é um grande risco".

O magistrado autorizou o uso da força policial em caso de descumprimento da sentença, além de uma multa diária de 1.000 reais para quem violar a decisão.

A Survival International já havia condenado a nomeação em fevereiro do pastor Ricardo Lopes Dias como do departamento dedicado à proteção de tribos isoladas ligado à Fundação Nacional da Índia (Funai).

Dias foi membro da Missão Novas Tribos entre 1997 e 2007.

Com 33.682 casos e 2.141 mortes por COVID-19, as autoridades de saúde brasileiras preveem que a doença atingirá seu pico a partir de maio.

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